quinta-feira, dezembro 31, 2009

Janeiras 9-10

video

Fonte: fotopololourosarecolhas.blogspot.com/2009/02/cantar-as-janeiras-e-reis.html

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Viva lá Senhor da Casa
à sua porta nos tem
vimos dar as boas festas
e à sua mulher também
vimos dar as boas festas
e à sua mulher também.

Também queremos saudar
os seus queridos filhinhos
não podemos esquecer
os seus tão lindos netinhos
não podemos esquecer
os seus tão lindos netinhos.

Boa noite, Senhor da casa
aqui tem a festa à porta
se não nos quiser dar nada
não nos dê fraca resposta
se não nos quiser dar nada
não nos dê fraca resposta.

Neste fim de ano velho
e princípio de Ano Novo
vimos dar as boas festas
respeitando todo o povo
vimos dar as boas festas
respeitando todo o povo.

Esta noite tenha pena
está um frio da geada
vinde-nos abrir a porta
que é boa rapazeada
vinde-nos abrir a porta
que é boa rapazeada.

As Janeiras não se cantam
nem ao rei nem ao fidalgo
só se cantam a lavradores
que dão malguinhas de caldo
só se cantam a lavradores
que dão malguinhas de caldo.

Ó senhor patrão da casa,
dê volta na salgadeira,
mande pelos seus criados,
um bocado de orelheira
mande pelos seus criados,
um bocado de orelheira.

Desejamos-lhe saúde
e na bolsa bom dinheiro
em desconto dos pecados
e da carne do fumeiro
em desconto dos pecados
e da carne do fumeiro.

Esta casa cheira a unto,
aqui mora algum defunto;
esta casa cheira a breu
aqui mora algum judeu
esta casa cheira a breu
aqui mora algum judeu.

Este barbas de farelo
não tem nada para nos dar
tem sardinhas podres
debaixo do alguidar
tem sardinhas podres
debaixo do alguidar.

Ano Novo, Ano Novo
Ano Novo, melhor ano
vimos cantar as Janeiras,
como é lei de cada ano
vimos cantar as Janeiras,
como é lei de cada ano.

Vamos dar as despedidas,
que a vida lhes corra bem,
adeus meus senhores todos,
até pró ano que vem
adeus meus senhores todos,
até pró ano que vem.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

pagando promessas em linha

Este meu post poder-se-ia chamar de:
1) "Síndrome de Irving Langmuir",
2) "do Nobel ao IgNobel",
3) "Vítimas de Ciência Patológica",
4) "A Arte da Ciência que não o é"
5) "O paradigma dos 4 P+1 O" (este O é meu, mas os 4P não são).
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Vem isto, a propósito de:
Num post de João Miranda, intitulado "Banha da Cobra", do blog Blasfémias, podermos ler: Ricas ondas! Investimento de 1 milhão e 250 mil euros só funcionou… 3 meses". [Vá lá, meus amigos, não abram a boca, porque isso não é nadinha, passa já!]
A leitura desse texto, a audição do vídeo associado e, ainda, uma troca azeda de comentários sobre um dos meus recentes posts (a respeito, uma pessoa conhecida, já há uns tempos, disse-me: questiúnculas como essas resolviam-se na perfeição com um duelo de desagravo... mas, hoje em dia, já ninguém é de nada....) recordaram-me uma minha dívida geriártica para com dois dos meus prezados e bravíssimos credores-leitores que, naturalmente, preciso estimar.
Antes de tudo, recordo em especial para esses dois leitores-comentadores-credores, que "choramos sempre mais pelas preces atendidas".
Vou iniciar hoje a amortização (aos bochechos) deste meu deficit (público), apesar de entender que, desde já, não desmereço a possibilidade de me incluir, a curto prazo, naquele exclusivo, selectivo e, agora também, famoso agrupamento nacional dos aficionados da dívida pública que, como penso saber, tal como a minha própria pessoa, não paga nem reza santo, quanto mais promessas...

Vamos, então, lá a isto:

Neste meu post, instintiva e intempestativamente, insurgi-me contra (o que considero ser) um franco abuso da generalização do conceito de investigação, quando usado no sentido de simples aplicações de tudo o que se sabe, acerca de um determinado assunto num determinado instante.
Por outras palavras, penso ser bacoco chamar (ou acorrer) à imprensa, televisão e rádio para lhes divulgar e fazer anunciar (ao mundo) os hipotéticos "achamentos" de "estudos/trabalhos/projectos" muito trabalhosos, mas muito curriqueiros, para os quais se usaram metodologias conhecidas, já publicadas e bem definidas que qualquer profissional razoável deveria utilizar e desenvolver, sem problemas de maior e sem recorrer a cientistas de verdade.
Como sempre, para que não suscite dúvidas, exemplifico com casos concretos o que penso em nada prestigiar os seus intervenientes promoverem-se conferências ou elaborar notas de imprensa, nem "chamar a SIC" para casos semelhantes a estes: Tijolos feitos de "lixo" (aplicação já muito conhecida na gestão de resíduos de alumínio) e Hipotensão: software português pode prever crises nos cuidados intensivos (uma aplicação das redes neuronais, de entre muitas outras tão interessantes quanto, e já bastante antigas) e, já agora um outro, mas não encontrei o vídeo correspondente, para dois docentes/investigadores, respectivamente, uma senhora do IST e um senhor da FEUP, que arengaram sobre eficiência e optimização da transferência, salvo erro de combustíveis, de Sines para Aveiro (mas que, na verdade, se dedicaram com algum afinco, admito, à aplicação de investigação operacional a redes de transporte (coisa sabidíssima, e muito mais antiga ainda).
Agora, para estes trabalhinhos, temos até a vidinha muito facilitada porque dispomos de computadores e servidores que são umas preciosidades.
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Quero dizer, para mim, trabalhos, como os exemplificados, são simples casos de estudo, muitíssimo interessantes, mas que podem e devem ser realizados por pessoas comunsíssimas, claro que detentoras de uma boa formação de base nas respectivas áreas, e auxiliados ou não, pontualmente, por pessoas mais experientes (professores ou não) ou, apenas, por mão de obra barata ou gratuita - de bolseiros e estagiários das respectivas especialidades.
Ou, em alternativa, o que, a meu ver, seria mesmo desejável era que estes trabalhos fossem executados só por empresas privadas de projectos, que remunerassem condignamente profissionais contratualizados, directamente, para esses efeitos. Da forma como incentivamos a concorrência desleal -- por intermédio da alguma "investigação" realizada em Portugal, quando interpretada de forma demasiado liberal, por muitos centros de investigação -- não há empresa privada de sucesso que se consiga firmar. Mas, ainda voltaremos a falar sobre isto.
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Mas, quando esses tais trabalhos, e relatórios estudos, absolutamente, triviais e simplórios se tornam em casos dignos de registo para grupos ditos de investigação ou inovação que se presem, é como promover rotinas a uma elevação de patamar, mas já com requintes de sado-masoquismo. É que é, justamente, por isso, que se fica a perceber bem a razão porque Portugal não vai nunca sair do buraco -- divulgamos ao povo (presumivelmente, ignorante e ingénuo) os nossos gloriosos e geniais feitos, expectamos a que decisores públicos muito, mas mesmo muito distraídos (como quase sempre são, porque os "capitais" nem são deles e uma mão lava a outra), enventualmente, nos premeiem e financiem, enquanto nos auto-desvanecemos por tudo o que esteja nas vizinhanças executivas do nosso próprio e único DNA.
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Apesar disso -- não sou fundamentalista da ética -- para mim, tudo estaria muitíssimo bem se ficássemos por aqui.
O problema é que nunca ficamos por aqui, sobretudo, se esta verdadeira propaganda, feita de forma gratuita (quanto nos custará?) e selectiva, facilita o reforço da argumentação para se auferir da distribuição de actuais ou futuros orçamentos públicos para impulso da investigação, a diferentes instituições/candidatos a projectos que a nossa FCT apelida de investigação; por exemplo, se o financiamento tiver como base o número de linhas ocupadas por "projectos (ditos) de Investigação".
Essa repartição, diz-se, que é independente, feita por júris internacionais, com base em critérios transparentes, mas se eu confio TOTALMENTE em pessoas que integram os júris que nos desconhecem, já não confio mesmo NADA nos que encomendam e pagam as apreciações feitas por esses júris - para mim, seria muito interessante o país conhecer a distribuição de frequência dos financiamentos/projectos aprovados por instituições candidatas e, também, por "coordenador" dos grupos de investigação vencedores das candidaturas.
Para o efeito, de eu sequer me dar ao trabalho de creditar verdadeira equidade às tais distribuições "independentes e justas", essas teriam que ser feitas com base em grelhas de créditos mensuráveis e comprováveis, devidamente pré publicados aos olhos de todos e, depois, confrontadas com as QUANTIFICAÇÕES das classificações atribuídas pelos júris aos currículos e conteúdos concorrentes, também estes tornados públicos. Ora isto, que eu saiba, nunca aconteceu nem, ainda, acontece. Os tais critérios, quando publicados, é que mereceriam um prémio de semântica e de sofismas. Porque será?
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Para fechar este assunto, por hoje, a 1ª prestação da minha promessa, vou:
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1 - citar uma investigadora do MIT. a respeito de discriminação de financiamentos na apreciação dos trabalhos:
"Resource allocation is often done, particularly at the beginning of a career, on expectations of success and also depends on how aggressive and successful one is at demanding, and getting, more space, equipment, start-up funds, graduate students, and so on. Getting more at the start helps one take off faster and go further quicker, of course."
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2 - explicar os 4 P que poderiam ser atribuídos ao título do post:
One way confusion can enter a scientist's thinking involves disruption of the natural conceptual progression through four categories of ideas, ranked in decreasing order of surprisal. For convenience, we can refer to these as the paradigm's four Ps

The possible comprises all ideas that do not violate the most basic and global principles of science (e.g., the second law of thermodynamics; fundamental conservation laws).
The plausible describes ideas that are clearly possible and would be tenable if we cou
ld envision circumstances under which they could be tested. (In the case of "polywater" or polymerized H2O molecules, discussed in more detail below, there was no a priori reason why a chemical reaction yielding such a substance could not occur and move downhill in potential energy, as any reaction must; the idea was implausible but not impossible.)
The probable describes "normal science" as Kuhn used the term: incremental explorations that apply a paradigm and may extend its scope but do not threaten to overturn it. Science regularly makes orderly incursions into the realm of the unknown, expanding what is known without raising an eyebrow over the probability of the results.
The proven applies to unsurprising exercises in puzzle-solving, the routine application of known principles, working firmly within a stable paradigm.
Much of scientific education takes place here, though student work is fully capable of venturing into the other areas. "
Cá para mim, nós a isto, muito facilmente acrescentarmos um "O" - ÓBVIO - este é só nosso, e ficamos muito felizes... embora, depois, resmunguemos dos resultados finais-finais, para o país.
Sobre este tema, há ainda muito para dizer mas, eu não consigo distanciar-me, facilmente, disto, porque meus amigos, quando não temos nada para esconder não nos importamos de explicar bem as nossas decisões e contas - e, neste caso, são só 4 operações, os seus resultados precisariam mesmo de estar certos, e... e não estão!
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Para concluir, parafraseando alguém bem-humorado, e que não sei, de momento, identificar:
Antigamente, o que todo o investigador gostaria de dizer era EUREKA.
Agora, o investigador já se contenta com: " O meu projecto foi financiado".
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Se ainda tiverem paciência, não dispensem de ler este extracto: Working researchers can take practical steps to lower the chances that today's "Eureka!" will be tomorrow's Ig Nobel, que encontram neste artigo, não datado na fonte:"Toward a General Theory of Pathological Science" de Nicholas J. Turro e William P. Schweitzer Professor of Chemistry at Columbia University.

domingo, dezembro 27, 2009

Deve ser erro (meu) de paralaxe

Ultimamente, tenho-me sentido... (bom,... como dizer isto sem me auto-ofender?....) intelectualmente, desfavorecida...
Eu explico, é que julgo estar comprovada a existência de erros de paralaxe, por isso, neste par de dias de ócio, tive oportunidade de olhar, à distância, mas atentamente, para as Novas Oportunidades, e concluí que:
1º - O objectivo formalmente DECLARADO é a elevação dos níveis de qualificação de base da população adulta.
2º - Os instrumentos são: "... o reconhecimento, validação e certificação de competências adquiridas (que deverá constituir a ‘porta de entrada’ para a formação de adultos), e a oferta de formação profissionalizante dirigida a adultos pouco escolarizados."
3º - A iniciativa destina-se a pessoas com "... mais de 18 anos e ainda não completaram o 12º ano".
4º - Há já, nada menos do que, 456 Centros de Novas Oportunidades, com centenas de formadores. Quem serão?
5º - os Possíveis percursos de qualificação para adultos são:
i) Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC);
ii) Cursos de Educação e Formação de Adultos (Cursos EFA, aos milhares) indicados para quem necessita de completar o 9º ou o 12º ano de escolaridade e não dispõe de uma experiência profissional relevante. Podem ainda ser indicados para quem pretende uma reconversão profissional.
iii) Formações Modulares Certificadas com uma duração que pode variar entre 25 e 600 horas, contribuindo para a obtenção de uma qualificação ou para completar processos de RVCC.
6º - O reconhecimento das competências adquiridas ao longo da vida em contextos informais de aprendizagem constitui não só um importante mecanismo de reforço da auto-estima individual e de justiça social, mas também um recurso fundamental para promover a integração dos adultos em novos processos de aprendizagem de carácter formal.
7º - O Investimento para esta formação (Eixo 2, do Programa Operacional do Potencial Humano do QREN) ascenderá a 3,2 mil M€.
8º - O número total de Protocolos subscritos com empresas foram de 477.
9º - Um grupo avaliador da Universidade Católica, dirigido por Roberto Carneiro cobrou 1 M€ para sossegar o país, relatou que os formandos, em resultado dessas formações, incrementaram a sua auto-estima. Eu não tenho a certeza, mas julgo que também são pagos para aumentarem a autoestima.
Eu também "achei" TUDO, MAS TUDO MESMO, Muito Óptimo! Ao menos isso!
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PSEUDO -CONCLUSÕES:
1 - Ou eu percebi muito mal todo este enredo, ou, com este modelo de formação, na prática, estamos a assistir à completa liberalização do acesso ao ensino superior, através de formações, extremamente apelativas, que, no final, se diz que assegurarão aos formandos competências finais [REF1], a meu ver, bastante mais complexas do que as dos alunos que prestam, anualmente, a duras penas, as suas despretensiosas e pouco bem sucedidas provas de acesso ao referido nível de ensino.
2 - Serão os formandos das Novas Oportunidades, aqueles novos/velhos e diversificados perfis de mais estes outros candidatos ao ensino superior de que tanto se falou, para o politécnico (ou a abertura é mesmo total na falta de outros alunos)? ... É que, pelo menos, o politécnico precisará preparar-se, convenientemente, para estes alunos... e não chegaremos lá com Doutoramentos e Projectos de Investigação dignos destes conceitos (actualmente, já bastante antiquados e desvalorizados).
[...."Sendo a avaliação final de um curso de Educação e Formação de Adultos, qualitativa, como é que os adultos que concluam o ensino secundário através de um curso EFA podem aceder ao ensino superior, não tendo uma calssificação final?
De acordo com a (Deliberação nº 1650/2008 de 13 de Junho), da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, para efeitos de candidatura ao ensino superior, a classificação final a atribuir aos candidatos cujo certificado de conclusão do ensino secundário não inclua uma classificação, é a que resulta da classificação ou da média das classificações obtidas nos exames nacionais do ensino secundário]. A menos é claro que esses formandos aterrem no ensino superior, pela via dos maiores de 23 anos... e, então, não precisam de quase nada, a não ser da «boa intenção» das instituições que os acolherem.
3 - Se se tem, assim, tanto sucesso com estas formações, por assim dizer, «eficientíssimas», «aligeiradíssimas» e «rapidíssimas», porque não oferecê-las imediatamente a todos os alunos, para que eles também, à luz da nossa constituição, igualmente, beneficiem da autoestima, qualidade da formação e da redução dos tempos e dos temas de aprendizagem?....
4 - Apesar de eu já ser muito crescidinha, as Histórias de ficção, que todos os dias me contam, jamais deixam de me surpreeender (e estarrecer).

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[REF1] - "No nível secundário é necessário evidenciar e ver validado um mínimo de 44 competências chave a partir de um conjunto total de 88. Estas competências estão associadas a 22 Unidades de Competências (com 4 competências-chave cada) e distribuem-se por três Áreas de Competências-Chave – Cidadania e Profissionalidade; Sociedade, Tecnologia e Ciência; Cultura, Língua, Comunicação) – ver Referencial de Competências-Chave para a Educação e Formação de Adultos - Nível Secundário".
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VER mais informações e também os vídeos do seminário “Seminário Iniciativa Novas Oportunidades: Primeiros Estudos da Avaliação Externa" : http://www.novasoportunidades.gov.pt/np4/44.html :
- A estratégia da ANQ no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades - eixo adultos, em 12 tópicos
- Caderno 1: Políticas Públicas
- Caderno 2: Percepções
- Caderno 3: Estudos de Caso
- Caderno 4: Painéis
- Caderno 5: Qualidade e Satisfação
- Caderno 6: Auto-Avaliação

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Graças à crise nunca chegarei a peru


Já repararam na decoração com que este blog se propõe comemorar este fim(zinho?) de 09?
Parece que a blogger tem estado em retiro espititual, em meditação sobre a vida -- não a dela mas, claro, sobre as dos outros... -- sempre tão mais interessantes...
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Vim por aqui, para lembrar os meus caros e raros leitores que o nosso e vosso 10, o próximo ano, considerando algumas escalas e referências, só poderá ser uma vivência topo de gama.
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quarta-feira, dezembro 09, 2009

Sem dúvidas é preto ou branco


Madrugámos, hoje, com a seguinte notícia:
"Ensino Superior português podia produzir o mesmo com metade do dinheiro
O Ensino Superior público português surge entre os mais ineficientes do mundo ocidental, segundo um estudo encomendado pela Comissão Europeia ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
O trabalho indica que as universidades e os politécnicos públicos podiam ter produzido o mesmo com 48,6% do dinheiro que gastaram, desde que as verbas tivessem sido aplicadas eficientemente"

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Comentários:

1 - Penso que, absolutamente, ninguém poderá duvidar das conclusões (mais do que óbvias) do estudo.

2 - Pessoalmente, o que duvido é do motivo que pode ter levado a Comissão Europeia a custear este estudo e, também, de entre todas os países ditos mais eficientes, veio justamente a Portugal encomendar o estudo a uma instituição pública de ensino superior. Estes estudos (de pouco mais do que estatísticas descritivas), a meu ver, são perfeitamente dispensáveis porque há, pelo menos, uma instituição nacional que não só pode como, também, os deve fazer (GPEARI) e publicar com referências adequadas antes de correr para a comunicação social, como, aliás, até costuma ser, e bem, a sua forma institucional de estar nestas problemáticas.

3 - Estudos excedentários dessa natureza estão constantemente a ser "encomendados" às (e produzidos pelas) nossas universidades (e, se pagos, são só pedidos a algumas e sempre às mesmas instituições) à laia de "trabalhos de investigação" sendo, dessa forma, conduzidos pelo seu pessoal docente que deveria era ocupar o seu tempo útil noutra actividade bastante mais produtiva e necessária.

4 - A título de ocupações, efectivamente, úteis de docentes do ensino superior seriam, por exemplo, na docência propriamente dita, reduzindo os seus custos totais ou, de facto, a estudar, seriamente, como é que se deveriam financiar, ESTRATEGICAMENTE, em benefício do país, de modo objectivo, justo e equilibrado as instituições de ensino superior público nacional, para melhorarmos rápida e drasticamente o nosso desempenho e custos educativos a esse nível.
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terça-feira, dezembro 08, 2009

"spooky action at a distance"

Hoje, passei e entrei, num mercadinho cá da terra (no seu todo, não terá 100 m2) e aterrorizei.
Acreditei que tinha sido abduzida e teletransportada para uma outra dimensão espaço-tempo. Cheguei a temer, com os meus botões, que não tinha comigo, sequer, o meu passaporte...
A gerente da vendinha, entre o inchadíssima de orgulho e o muito cativante, convidou-me para eu ver, com detalhes, as "suas obras", resultantes de uma intervenção da nossa ASAE.
Tinha ficado tudo, realmente, "num brinquinho": azulejos, termómetros, câmaras frigoríficas cintilantes, a iluminação protegida com armaduras reluzentes tal como a fatiadora, a balança imaculada, a caixa registadora afinada, e as facas, então essas, exibiam um fio irrepreensível de cortar pensamentos, etc., etc.,..
Os hectares e hectares do brilho profuso e extenso do aço inoxidável --- austenítico (do autêntico e do melhor) feriam os olhos --- só rivalizavam com o do sorriso da dona que declarou: isto custou-me 15 dias de trabalho pesadíssimo, das 7 da manhã à meia noite, mais 15,000 Euros, fora aqueles outros 470 que também paguei para «eles» voltarem a inspecionar cá a minha loja... mas ficou tudo muito lindo não ficou?
Abismada e confusa dei-lhe sinceros parabéns, porque era mesmo verdade: o espaço da ex lúgrebe vendinha estava agora não só mais chamativo e organizado como, ainda, com um ar bastante mais asséptico que o meu centro de saúde. Não pude deixar de pensar quantos mais meses essa senhora não teria que trabalhar sol-a-sol e noite a dentro, só para poder voltar à tona do seu modestíssimo negócio.
...
Não sei se foi esta cena -- ou se foi um inconsciente anagrama defeituoso que fiz com a designação da ASAE -- que me fez recordar aquela outra Agência --a A3ES -- que, recentemente, também, "pegou, com entusiasmado afinco, ao seu serviço de acreditação dos cursos superiores".
Também não há dúvida, do meu ponto de vista, e para variar, o sistema de creditação actualmente em vigor, é mesmo mais um protótipo da perfeição e virtude - tem procedimentos rígidos é, obrigatoriamente, chamada para "fiscalizar" os "fiscalizados", obedece a legislação rigorosa, para os "chamamentos" dos baratos cobra 600 Euros e, de vez enquando, adiciona, por conta própria, mais umas linhas aos já extensos decretos-lei formais, por exemplo, uma outra definição de "especialista," para o politécnico, assim tal e qual:
"Enquanto não estiverem reunidas condições para a atribuição do “título de especialista”, a que se refere o Decreto-Lei nº 206/2009, de 31 de Agosto, de modo a satisfazer os requisitos previstos legalmente para a composição do corpo docente das instituições de ensino superior politécnico e tendo em atenção o disposto na a) do nº 2 do artº 6º, na a) do nº 2 do artº 16º e na a) do nº 2 do artº 57º do Decreto-Lei nº 74/2006, de 24 de Março e nos artº.s 48º e 49º da Lei nº 62/2007, de 10 de Setembro, considerar-se-á, provisoriamente, como “especialista” quem satisfaça, cumulativamente, as seguintes condições:
a) Deter formação inicial de grau superior;
b) Possuír, no mínimo, 10 anos de experiência profissional na área em que se propõe exercer a docência;
c) Deter currículo profissional de qualidade e relevância comprovadas para o exercício da profissão na área em causa, devidamente confirmado e aceite pelo orgão técnico-científico da IES respectiva."
Bem me parecia que, para o subsistema politécnico, esta coisa dos "especialistas" seja lá o que isso seja (com aspas que, desta vez, não são minhas) ia tornar-se, a prazo, numa verdadeira "spooky action at a distance".
Chegou a hora!

domingo, dezembro 06, 2009

Think tank desconsertante e perigosíssimo

Nunca tive (cada vez tenho menos) uma opinião favorável sobre qualquer que seja e de onde venha a iniciativa que viabilize a ingerência ou misturas de actividades de política global -- e, no nosso caso, infelizmente também, a mistura da política comezinha de chinelos de trazermos cá por casa -- em questões reais de ciência, tecnologia e desenvolvimento.
Os resultados das tentativas a que tenho assistido não estão a orientar-se no sentido de eu poder alterar a minha opinião.
Vejam, os meus caros e raros leitores, se tiverem tempo e paciência, por exemplo, este vídeo que expressa de forma demolidora as impressões de um JORNALISTA, Rex Murphy, acerca do recente caso Climategate, e observem as duas figuras abaixo, e depois, se puderem, ajudem-me a rever a minha postura, sobre este tema --, subscrevo tudo o que ele diz, mas acho que perdi a fé! (demasidamente tarde).


















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Referências consultadas às 22:15 de 6 de Dezembro de 2009:
http://www.youtube.com/watch?v=lgIEQqLokL8
http://www.newscientist.com/data/images/ns/cms/dn11659/dn11659-2_738.jpg
http://www.newscientist.com/data/images/ns/cms/dn11640/dn11640-1_800.jpg
IMAGEM - aqui