domingo, fevereiro 21, 2010

"Much ado about nothing" - visões de avaliações


Se neste mundo existe injustiça, o melhor exemplo, para mim, será forçar a igualdade dos que são diferentes.
Com isto, quero dizer que, quanto a qualidades dos docentes, melhor dizendo, às suas qualidades para a docência - refiro-me à educação superior - sendo necessárias muitas, mas todas tratando-se qualidades/ou defeitos inerentes aos indivíduos, iremos obter uma miriade de possibilidades de todos serem excelentes e/ou péssimos, consoante os critérios, as grelhas de avaliação e/ou as instituições quiserem.
O país, entretanto, só ganhará se a avaliação for vista numa perspectiva heuristica e, a ser assim, haverá vantagens quando uns (critérios) e outras (grelhas) forem, efectivamente, diferentes entre si.
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Resumindo: tenho sido muito favorável (fanática) relativamente a classificações, avaliações e ordenações de académicos - os seus resultados, via de regra, são incentivadores da reorientação de outliers para efeitos de prossecução de objectivos das instituições que, por sua vez, também têm que ser dinâmicos - acompanhar os tempos....
Ultimamente, porém, avolumou-se registo do sururu nacional, em torno da avaliação dos docentes de ensino superior (público) porque os potenciais futuros avaliados se apreciados, seja lá da maneira que o forem, inevitavelmente, obterão diferentes resultados dessa apreciação o que os situará em classes e/ou níveis diferenciados entre si.
Interregar-se-ão os meus caros e raros leitores, mas aonde é que poderá querer chegar com estas arengas?
E a minha resposta é: A diversos lados. Assim:
Pessoas conhecidas lembraram-me, e bem, de aspectos, que me deixaram perplexa e a vacilar nas minhas convicções sobre avaliações e rankings (pensava eu, que eram conviçções, a verdade é que pensei muito pouco):
1 - A avaliação que se pretende implementar para os docentes de ensino superior vai consumir recursos e "mão de obra" consideráveis, ou seja, se for bem feita, gastará tempo/dinheiro precioso a outras utilizações. E em troco, obteremos, exactamente, o quê?
2 - Só irá servir para a progressão profissional na horizontal - uma espécie de mudança de escalões, na mesma categoria. Temos que nos lembrar que o (actualmente, fluido) ECPDESP prevê que as progressões verticais ocorram todas por concurso (felizmente).
3 - Pode induzir nos futuros avaliados sentimentos que se poderão traduzir por frases como estas:
"Eu? Nem pense! Eu não faço isso! Essa «coisa» não conta nada para a minha valorização."
" Só aceito tarefas que possam contribuir para incrementar o somatório da minha pontuação"
"Se atingi o máximo da cotação nesse requisito, acha que sou idiota, a pontos de me por para aqui a trabalhar para nada?"
Por isso, de há uns dias para cá, fiquei indecisa.
Receio que precisemos de nos conformar com o nosso desígnio nacional que deveríamos inscrever à laia de lema na nossa bandeira: "Much ado about nothing." (ou uma tradução disso, bem feitinha).

7 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Poucas coisas representam tão bem a mentalidade de "funcionário público", como alguns dos diálogos deste post.

Alguém numa empresa privada se atreveria a dizer ao seu chefe que "só aceito isto.. ", "nem pense.." ou outras pérolas do mesmo calibre? Nunca.

Isto mostra bem porque razão o Ensino Superior Público, só se auto-corrigirá,com tratamentos de choque, como aqueles que nenhum Ministro da tutela até agora teve coragem para aplicar.

De uma coisa parece no entanto que a autora do mesmo, se esqueceu, que as avaliações de desempenho negativas nos termos do SIADAP dão direito a processo disciplinar. E se assim é, não se vê porque deverá ser diferente para os Docentes do Ensino Superior Público.

segunda fev 22, 09:19:00 da tarde 2010  
Anonymous uma loura disse...

A mentalidade do funcionário público?
O funcionário público que para os do privado parece ser a razão de todos os males no país, vai acatando com tudo, incluindo desaforos. Se muitos direitos o funcionário público ainda tem (que cada vez mais são menos) deve-o ao facto de defender os seus direitos em tempos idos .... Com isso não quer dizer que aquilo que se passa no privado seja o desejável. O que é certo é que os do privado estão sempre a "malhar" nos do público, esquecendo-se que não é na senda da maldicência que se obtém o que é de direito .... mas a história não tem ensinado nada a esta gente que tem um ódio de morte a tudo o que é público?

terça fev 23, 06:35:00 da tarde 2010  
Anonymous Anónimo disse...

"Defender os direitos dos tempos idos"

mas que prosa tão linda.

Assim de repente ocorre-me que os Farmaceuticos também andam muito preocupados em "defender os direitos dos tempos idos", no que toca ás restrições de abertura de novas farmácias.

ou que por exemplo, a Ordem dos Médicos, resmunga raios e coriscos, cada vez que o Governo abre uma nova Faculdade de Medicina.

O que está aqui em causa é se esse tipo de situações trazem alguma coisa de bom para o futuro de Portugal ? Não parece nada.

As avaliações pretendem valorizar os Bons funcionários públicos e correr com aqueles preguiçosos que se refugiam nos tais direitos, de que fala.

A Constituição Portuguesa não garante o direito á preguiça e á incompetência de alguns Funcionários Públicos, mas para alguns até devia.

quarta fev 24, 10:28:00 da manhã 2010  
Anonymous Anónimo disse...

Acho que o meu último comentário foi censurado

quarta fev 24, 10:19:00 da tarde 2010  
Anonymous Anónimo disse...

É sempre assim... Mal surge a palavra "avaliação" toda a gente estremece... Felizmente há situações em que ela se tornou banal, para nossa felicidade: imaginem se os candidatos a piloto de aviões pudessem recusar o conjunto de provas em que são avaliados. Vamos ser sérios: aceitando que possam existir situações de alguma injustiça, que têm de ser minimizadas por uma grande transparência no processo, é imperioso que exista uma avaliação dos professores do ensino superior.

quinta fev 25, 10:10:00 da manhã 2010  
Blogger fernando disse...

Eu não tenho nada contra os bons Funcionários Públicos, acho até que deviam ter aumentos de vencimento substanciais.

Mas como o Orçamento não é elástico, temos que ir buscar verbas para isso, ás poupanças que se obtém pelo despedimento (precedido do devido processo disciplinar) dos péssimos Funcionários Públicos.

O Estado só pode ter Funicionários que pautem a sua actividade por uma ambição permanente de auto-melhoria.

Quem não se revê nisto, pode sempre dedicar-se á agricultura.

domingo fev 28, 03:09:00 da tarde 2010  
Anonymous Anónimo disse...

A frase

"Eu? Nem pense! Eu não faço isso! Essa «coisa» não conta nada para a minha valorização."

não apareceu com a avaliação. Antes só se fazia o que interessava para o concurso ou as provas seguintes. Ao menos com a avaliação haverá mais itens do que nas provas e sempre se farão mais coisas... Tudo depende da consciência de cada um!

segunda set 20, 04:47:00 da tarde 2010  

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