segunda-feira, outubro 30, 2006

Não é possível "a este pobre diacho" vestir outra "griffe"

Na semana passada, o MCTES publicou o seguinte documento:
"CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR. Breve apresentação da proposta de Orçamento de Estado para 2007. 25 de Outubro de 2006.
Este documento é muito preciso na definição de políticas imediatas para o subsistema politécnico. Alias, são pouquinhas:
1ª - "Reforça-se a formação profissional em TIC, designadamente através da expansão de Cursos de Especialização Tecnológica, prioritariamente em Institutos Politécnicos e com a participação de empresas" - página 3.
Prioritariamente???
Mas, porquê prioritariamente?
Não deveria ser exclusivamente? Tal como os Doutoramentos são exclusiva competência das universidades.
Quero dizer, que nos intervalos dos afazeres resultantes de protocolos com MITis, HARVARDs, OXFORDs, UTAs, etc., etc., às Universidades ainda lhes sobra tempo para CETs?
Não quereria o MCTES dizer ao país, como se estabelecem as competências devidas para leccionar CETs? Quererá isto dizer que qualquer Doutoramento é condição suficiente para se ser formador de um CET? Ná há dúvida...
Mais à frente no mesmo documento também é dito:
2ª- "Serão estabelecidas em 2007 novas parcerias internacionais, designadamente com entidades europeias, e lançar-se-á um programa novo de estímulo à participação de Institutos Politécnicos em redes internacionais de instituições congéneres de referência." - página 4.
Bom, parece que este MCTES tem uma veia, exageradamente, pronunciada para ocupar as funções do Ministro de Negócios Estrangeiros - porque agora deu-lhe para aderir, irremediavelmente, à profissão de RP Internacionais - das instituições que tutela, cuidando ao milímetro, para que as parcerias a efectuar se confinem ao que julga ser o limite eo nível adequado de convívio (das instituições).
A partir de agora, não será nada bem visto que ninguém de nenhum politécnico passe perto das portas do MIT, de Carneggie Mellon ou da UTA e, em contra partida, vai ver também, Deus livre e guarde às Universidades de entrarem em conversações com Ngee Ann Polytecnnic ou com o Rensselaer Polytechnic Institute.
Mas em que outro país deste planeta anda um Ministro a prestar funções de angariador/"go-between" de parcerias das instituições de ensino e de investigação que tutela, as quais por sua vez têm mais do que obrigação e autonomia legal, para estabelecerem os acordos que melhor lhes sirvam, por si proprias.
3ª - Já agora, e que mal pergunto, como é suposto os politécnicos terem hipóteses de ver aumentado num ano, o valor de 6.9%, da sua comparticipação de utilização de Receitas Próprias para o OE de 2007?
Nestas condições, podem, melhor - atendendo à forma como são tratados - devem os politénicos vestir qualquer outra coisa que não uma burka?
Não sei quem disse, mas alguém disse, com carradas de razões, que "o diabo são os outros."
Para as políticas de educação terciária cá do sítio, o melhor que pode acontecer ao subsistema politécnico é ser, sistematicamente, o "diabo"!
Ou isso ou, muito simplesmente, deixa de existir!

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