domingo, fevereiro 25, 2007

Pesca interdita?

Hoje, a página do MCTES anuncia que "MCTES discute reforma do Ensino Superior com o CRUP", e diz textualmente:

"O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago, recebeu hoje o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), em mais uma sessão de trabalho destinada a apresentar e a discutir com os parceiros sectoriais (?????) o processo de reforma do ensino superior em Portugal".
"A reforma do ensino superior português responde a um objectivo estratégico do Programa de Governo. Insere-se ainda no actual movimento europeu de modernização de Universidades e Politécnicos para o desenvolvimento de sociedades e economias do conhecimento".
Esta reforma quer-se estratégica e estruturante, e requer um forte empenho nacional na sua concepção e concretização".
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Deixem-me, com este pretexto, colocar-lhes umas dúvidas permanentes minhas e, se calhar, de muitos portugueses
1ª - Será que, perante uma questão comum - garantir ao país o melhor ensino superior possível - UMA ESTRATÉGIA pode ser desenhada, independentemente e em compartimentos estanques? Sem que haja uma negociação TRANSPARENTE E CONJUNTA entre todos os parceiros?
2ª - Ganhar-se-á, estratégicamente, alguma coisa em discutir com uns os problemas de outros, nas costas destes? e definir com uns o que podem ou devem os outros fazer, nas costas destes?
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Sabem o que vai acontecer, em Portugal, depois de ser debitada a reforma que vem sendo, superiormente, engendrada? eu digo-lhes - acontecerá, exactamente, o mesmo que ao pássaro da figura que, como se comprova, não está mesmo nada preocupado com as instruções da tabuleta - o nome do bicho poderia muito bem ser "Polytechnico" ou "Universidade".
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Pareço, aos meus caros e raros leitores, um relógio de repetição monocórdico? Têm razão! Mas por favor lembrem-se que o Senhor Ministro que deveria tutelar a educação terciária Portuguesa, a mim, também me parece cansativo e repetitivo, e poucos lhe fazem reparos. Na verdade, ele só não é mais repetitivo porque, depois do Relatório da OCDE, descobriu que existe um subsistema de ensino superior, em Portugal, que se designa por Politécnico e, de lá para cá, resolveu também integrar essa palavra ao seu reduzido, incansável e rotineiro léxico de expressão pública - se lhe perguntarem de chofre qual é o significado concreto do termo, tenho a certeza ABSOLUTA que ficará branco e frio "tipo" Alasca, e irá titubiar, com qualquer coisa que inclui CETs ou "maiores que 23" ou, quanto muito, ficar mudinho.*
Querem experimentar? Digam-lhe assim:
O País tem uma ideia mais ou menos precisa do que o Senhor Ministro entende por universidades de excelência, e que podem servir de exemplos para as nossas universidades nacionais, por favor, dê-nos um ÚNICO exemplo de um politécnico estrangeiro, que mereça a honra de se poder tornar um padrão de referência para os politécnicos do nosso país.
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Recomendação de segurança preventiva: Não se esqueçam de levar convosco cadeiras desmontáveis e confortáveis - podem ter que esperar sentados pela resposta.
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* Não vale, neste teste, "soprarem-lhe" respostas! Porque se ele desse alguma de jeito, pessoalmente, perguntar-lhe-ia logo "porquê"?
A pergunta é para ser respondida, exclusivamente, pelo MCTES.

1 Comentários:

Anonymous Alexandre Sousa disse...

Esta questão, que a generalidade dos super tótós ignora, é o cerne do relatório OCDE, já agora, mais a questão transcendente do financiamento.
Obviamente, MG não saberá responder! Mas nem ele, nem nenhum dos Reitores das UPs.
Falemos claro como a mulher de César:
- «o mercado é escasso»
- «a roupa de marca só está acessível nas lojas âncora»
- «roupa de marca à venda na Feira da Ladra é destino certo na Polícia da ASAE»
Para os iluminados do poder o Politécnico é uma escola de segunda para alunos de refugo.
Como virar esta camisa de 11 varas?
- É desafio (perdido...) que às vezes tb dá gozo participar.

Que alternativa?
- Ser Chato! Chato! Chato!
Mas tb ser claro. Sem dar ares doutorais, pegar calmamente no Report OCDE e começar a fazer o exercício. Se não formos nós a dar soluções para o problema ele continuará insolúvel.
Como se chegou às 8 horas de trabalho?
Como é que a mulher obteve direito de voto?


«Alexandre»

terça fev 27, 09:58:00 da manhã 2007  

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