sexta-feira, junho 02, 2006

Encontremos UMA PALHA no palheiro!

Pacifica-me muito a ideia que a floresta é um recurso renovável, porque tenho pensado em quantas árvores (larguíssimas centenas senão milhares de hectares de floresta) se teriam poupado, desde 1999, caso o Processo de Bolonha não tivesse sido um móbil/alibi para se consumir, na Europa, tanta tinta e resmas de papel... para as vossas estimativas, se quizerem conferir, podem usar os dados da brochura anexa.
Interessantíssimo também, é o facto de muito poucos de nós se interessarem pela componente mais importante de todo o processo - Competências Adquiridas e Resultados de Aprendizagem dos formandos.
Uma prova desta afirmação, a nível nacional, é que da profusa legislação e documentação produzida, apenas se referem competências como exigência do próprio processo de registo "Artigo 37.º- Instrução do processo de registo, alíneas b) e c), no Decreto-Lei nº 88/2006 - Regulamenta os cursos de especialização tecnológica (CET).
Devo de estar a ser eu a ver mal toda esta problemática, mas como a mim o que me aflige não é tanto o querer ou poder fazer política, mas tão só o de a saber fazer, mantenho desde sempre, quase que por dogma de fé, o raciocínio em loop em torno do essencial: Competências Adquiridas e Resultados de Aprendizagem.
A propósito de Competências, tenho procurado reunir informações sobre Política Educativa em Portugal e, sobretudo, identificar quem dos responsáveis máximos* poderia ter adquirido - por aprendizagem não formal, nos últimos 30 anos, antes de terem exercido as suas funções de ministros - por exemplo, as seguintes competências "...decision-making, organizational behavior, organizational change, strategic planning and restructuring, governance, policy implementation, the sociology of organizations, and culture and the political economy of organizations ". A resposta certa é não tinham/têm/adquiriram, e só isto já explica muita coisa!
Logo, e para começarmos, das largas centenas de cursos oferecidos, não temos nem tivemos, em Portugal nas Universidades ou nos Politécnicos, em 2005/2006, previstas formações públicas sistematizadas e direccionadas à Política ou Gestão de Educação, nem do ponto de vista de organização ou da filosofia comparativas dos sistemas, nem de um ponto de vista, mais prosaico e útil, do planeamento socio-económico ou de gestão de Infra-Estruturas, Recursos Materiais e Humanos.
O facto de não temos competências, e de nem sequer nos preocupamos em as conseguir de forma estruturada, apesar de termos demasiadas formações redundantes em muitas áreas, é muito preocupante, porque temos dificuldade em resistirmos a deixar de fazer o que sabemos bem que não sabemos, e pensarmos que os outros não se apercebem da nossa ignorância.

Os nossos sucessivos governos estatatais* ou das instituições de ensino superior público também não se têm equipado com dirigentes com aquelas competências ou, pelo menos, que sejam dotados de sensibilidade inata e genuína para se empenharem em considerá-las. A Prova em como não dispomos, entre nós, de entidades educacionais adequadas e devidamente documentadas ou de instituições devidamente apetrechadas em recursos humanos (infelizmente, também não em outras áreas) podemos confirmar aqui ou aqui (exemplos de publicações essenciais ao desenvolvimento de políticas bem sucedidas).
No nosso enquadramento, será bom que nos dispunhamos a encontrar rapidamente não uma agulha no palheiro - o que seria simplicíssimo (uma qualquer das sucessivas políticas de que temos sido carrascos-vítimas em simultâneo é um bom ponto de partida) mas sim UMA DETERMINADA PALHA DO PALHEIRO (uma política devidamente bem pensada, consistente e estruturada - POLÍTICA COMPETENTE) - isto, digo-vos, eu gostaria muito de ver.
Teremos sempre uma alternativa - deixarmo-nos de cantigas de mútuo embalo e avançarmos de uma vez, e rapidamente para, a bem dizer, uma qualquer política de organização das formações terciárias - sempre podemos converter-nos numa etapa inicial de um Estudo de Caso (a nível Mundial) num processo de scaling-up do learning by doing (desprovidos de competências iniciais, sem lenço ou documento - Registo tríadico de patente de processo garantido) de um sistema político educativo terciário - afinal, só somos 10,5 milhões de habitantes!
Ainda assim, sobrarão muitos Portugueses para o nosso pós implementação de Bolonha.
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Ministro da Educação e Investigação Científica, Mário Sottomayor Cardia, 1976-1978;
Ministros da Educação e Cultura, Mário Sottomayor Cardia e Carlos Lloyd Braga, 1978;
Ministro de Educação e Investigação Científica, Luís Valente de Oliveira, 1978-1979;
Ministro de Educação e Investigação Científica, Luís Veiga da Cunha, 1979-1980;
Ministro de Educação e Investigação Científica, Vítor Pereira Crespo, 1980-1981;
Ministro da Educação e Ciência, Vitor Pereira Crespo, 1981;
Ministro da Cultura e Coordenação Científica, Francisco Lucas Pires, 1981-1983;
Ministro da Educação e das Universidades, João Fraústo da Silva, 1981-1983; João de Deus Pinheiro, 1983-1985; João de Deus Pinheiro; 1985-1987, Roberto Carneiro 1987-1991; Manuela Ferreira Leite, 1991-1995;
Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, 1995-1999;
Ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, 1995-1999 (que subscreu a Declaração de Bolonha); Júlio Pedrosa, 1999-2002;
Ministro da Ciência e da Tecnologia, Mariano Gago, 1999-2002;
Ministro/a da Ciência e do Ensino Superior, Pedro Lynce Faria, 2002-2003; Maria da Graça Carvalho, 2002-2004 e 2004-2005;
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, 2005-....!

OBS: Já repararam que são quase todos Professores, sem experiência anterior, ao exercício das funções de ministros, na actividade privada? Isto explica muita coisa, não é verdade?

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