segunda-feira, maio 29, 2006

A nossa Matriz de Contradições resolve-se num ....TRIZ, ...

Para sermos justos, teremos que reconhecer ao intrincado Governo Português devotado à Educação Terciária, Ciência e Tecnologia (e derivados) notáveis e permanentes esforços para ultrapassarmos o nosso atraso relativo aos demais países, ditos de referência no sector.
É só consultarmos a nossa comunicação social para, quase todos os dias, nos depararmos com destaques noticiosos sobre: protocolos, visitas, inaugurações, reuniões dispares, minuetos com membros da Ivy League e arredores, inúmeros Decretos e Despachos redundantes (excepto, na minha opinião, Decreto-Lei nº 88/2006 - Regulamenta os cursos de especialização tecnológica (CET) - espantosamente, o mais completo e coerente, com o Processo de Bolonha, mas totalmente - e como é hábito - omisso sobre as competências a requerer da docência para essas formações), avaliações em curso e projectadas, pela totalidade da existência mundial em entidades avaliadoras e certificadoras, projectos e investimentos de várias envergaduras, e em todas as direcções, etc, etc, etc.
Efectivamente, se a Educação Terciária, Ciência e Tecnologia dependessem, em Portugal, apenas da dedicação, do esforço e de dinheiro governamentais (nossos) estávamos conversados; mas como não, todo o sistema está bloqueado, muito confuso e enferrujado.
Tenho-me questionado, porque é que quem nos governa não aproveita o seguinte:
1 - a já muito idosa e sistemática metodologia heurística (amplamente, difundida entre 1950 e 1986, mas só "descoberta", em Portugal, por algumas das nossas universidades, já por volta de 2004/05 - mas isto,... isto bem, é já um outro tema...) que pressupõe a ORGANIZAÇÃO MINUCIOSA DA CRIATIVIDADE para a resolução de problemas - TRIZ - Teoria da solução inventiva de problemas - iniciada há largas dezenas de anos, na Rússia pré-Glasnost, para efeitos de clarificação da origem da criatividade potencial que originaria registos de patentes, largamente aplicada (na indústria, mas não só) a projectos de menor ou maior complexidade de Engenharia da Ciência e Tecnologia e, progressivamente, actualizada e largamente difundida para encontrar a "solução ideal" para outras questões que careçam de "engenharia e, principalmente, de re-engenharia".
Não há dúvida que a nossa Educação Terciária requer sistematização e organização especializadíssimas, muito método e meticulosidade, bem como um grau/nível de "inventividade" (lá para os níveis 4 ou 5) de quem quer que se encarregue (ou venha de facto a encarregar-se e também a assumir) deste dossier, mas temos que começar por algum lado e, pessoalmente, a persistência aleatória da aplicação da Teoria do Caos, seguida até agora, parece-me um tanto casuística, excessiva e demasiado radical.
2 - o facto da TRIZ recomendar a concepção prévia de uma matriz de contradições e a análise de restrições, caso viesse a ser aplicada auferiríamos pelo menos das vantagens de se formularem correctamente os problemas, se encontrarem as funcionalidades úteis, reduzirem efeitos indesejáveis e precaverem falhas das soluções preconizadas e encontradas apenas por uma selecção adequada, simples ou combinada, de entre 40 princípios inventivos. Na verdade, tudo se resumiria a trocar o habitual "Trade-Off" - ou soluções d(a)os conveniências-compromissos, com base no ... ou...ou..., pela plataforma sinergética dos recursos disponíveis com base em ...e....e.
Já agora, poder-se-iam tentar intervenções que evitassem o 2º Principio - Remoção, Eliminação ou Extracção (ex. eliminar um subsistema) conjuntamente com o 13º Principio - Inversão (ex. drifts e ou miscigenação de funcionalidades ou de competências entre os dois subsistemas de ensino).
3 - Se ninguém se habilitar a pôr em prática esta tentativa, acho que acabarei por ter que "arregaçar as mangas", afinal a TRIZ é um bocado trabalhosa (existe software, até gratuito, para efeito de testes de utilização), mas não é complicada - o seu ensino e uso sistémico, assim como o da tal de "CRIATIVIDADE/INOVAÇÃO" não são assuntos exclusivos de Doutorados, para pós dos ditos, para GAPI/OTIC, ou para quejandos, muito antes pelo contrário, devem assegurar-se a todos ....e, .....desde crianças!




















Click na figura se precisar aumentar a escala.

FONTE DA FIGURA: www.triz.org
Principais referências consultadas:
1. http://www.mazur.net/triz/
2. LOPEZ, J., ALMEIDA, R.L. de and ARAUJO-MOREIRA, F.M. TRIZ: creativity
as exact science?. Rev. Bras. Ens. Fis., Apr./June 2005, vol.27, no.2, p.205-209.
5. http://www.altshuller.ru/ (versão em inglês)
6. 2004. Kiatake, Marly.
"Modelo de suporte ao projeto criativo em arquitetura:
uma aplicação da triz - teoria da solução inventiva de problemas".
Dissertação da Escola Politécnica da Universidade de S. Paulo.


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