quarta-feira, maio 31, 2006

Ficam para o chá?

Ontem foi um dia em cheio de publicação de notícias interessantíssimas, no Jornal Público online.
Uma chamou-me a atenção - intitulava-se assim: "Grandes Opções do Plano. Conselho Económico e Social considera impossível pronunciar-se sobre medidas do Governo".
O motivo remoto, porque a notícia me mereceu destaque, é que ando em prospecção de documentação nacional fidedigna sobre políticas educativas pós secundárias, e de directivas de desenvolvimento integrado do meu país.
Confesso-lhes, no entanto, que também não deixava de ser estranhíssimo que fosse IMPOSSÍVEL a um Conselho Económico e Social pronunciar-se sobre um documento cujo título oficial é: PORTUGAL. Grandes Opções do Plano. 2005 - 2009.
As minhas duas primeiras reacções, à notícia do jornal, foram em alternativa: "lá estão mais uma vez as versões livres da nossa criativa Comunicação Social", ou "os nossos economistas são mesmo um bando de cria-casos" - sem a existência deles, o nosso o mundo seria tão mais prazeiroso...
Mas, pelo sim pelo não - já não confio nem na minha sombra - decidi ir ver, com os meus olhos, “O PLANO”, e acreditem ou não, quase 10 horas depois de esforçadíssima literatura de 312 páginas de arengas, não era um plano e só encontrei estas iniciativas orçamentadas:
......
a) - Com uma dotação inicial de 30 milhões de euros, será viabilizada a criação de 200 novas empresas de base tecnológica, as quais contarão com apoio especializado à gestão na fase de arranque - Página 9.
......
b) Instituição de uma prestação extraordinária de combate à pobreza dos idosos, que assegure a estes um rendimento mensal de pelo menos 300€ - Página 37.
......
c) Será lançado um programa de grandes investimentos estruturais nas áreas de energia, transportes, ambiente, saneamento e saúde, que mobilizará mais de 20 mil milhões de Euros, durante os próximos 4 anos. Capítulo III, sem página.


Inacreditável, não é? Mas digam-me, só a mim, se a notícia não parecia mesmo impossível.
Confiram vocês mesmos, deixei-lhes os links.

Enquanto consultam os documentos, bebam um chazinho - é de tília e está forte, dizem que aquieta inquietações - Do calibre desta? Ah, mas não acredito mesmo!

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OBSERVAÇÕES:

1º - Desculpem-me, os Senhores Jornalistas e os Senhores Economistas, fui muito injusta com as respectivas classes, e sem nenhuma razão.
2º - Na próxima revisão constitucional, em lugar do Conselho Económico e Social (CES)*, criemos um Conselho de Adivinhos/Feiticeiros/Bruxos, será muitíssimo mais útil. O CES não pode/deve pronunciar-se sobre planos (???) "assim"... Francamente!
3º - *O Conselho Económico e Social, previsto no
artigo 95.º da Constituição, é o órgão de consulta e concertação no domínio das políticas económica e social e participa na elaboração dos planos de desenvolvimento económico e social - na 4ª Revisão Constitucional efectuada pela Lei Constitucional nº 1/97, D.R. I-A, 20 Setembro, o preceito relevante passou a ser o artigo 92º.

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