quarta-feira, maio 17, 2006

Deixo uma lembrancinha e uma recomendação...

Por algum motivo, que um dia alguém ainda me há-de explicar, sou tida como uma pessoa muito boazinha. Boazinha, eu? Só nos meus piores pesadelos. Mas lá que posso dar essa impressão, isso posso - mas de saída vou avisando, é só fachada. Vejam já de seguida a expressão máxima da imagem da minha benevolência - apesar da educação terciária ter chegado aonde chegou, resolvi oferecer a todos os responsáveis pela Educação Terciária, o ábaco anexo. Porquê? Eu explico:
Desde 12 de Maio, próximo passado, mas já antes desta data (mesmo ao tempo do Ministro Lynce, ou ainda mais atrás - vejam que éramos todos muito mais novos) que surgiu vindo, rigorosamente, do nada a "aterrorizante" notícia digna dos piores presságios do Monstro das Bolachas (o da Rua Sesamo) - cursos com menos de X alunos (recordo-mo que na altura eram 10 - mas com a inflação...) fecham-se, e atiramos as chaves fora....
Actualmente, e como já tive ocasião de referir, a gestão da educação terciária é muito transparente desde que se encontrem os adequados ângulos e linhas de mira, ou que perguntemos à sempre, excepcionalmente, bem informada comunicação social da nossa praça... - Lembro só, que é mesmo com pequenos vazamentos indevidos, que há navios que vão ao fundo!
Assim, e mais uma vez, foi disseminada, pela comunicação social e graças aos internautas mais eficientes e organizados, circulou também, como sempre, a alta velocidade, pela Blogosfera a fora, a seguinte notícia: "Universidades e Politécnicos com cursos em risco de fechar - O GOVERNO anunciou recentemente que os cursos com menos de 20 alunos deixariam de ser financiados pelos dinheiros públicos. Segundo uma lista a que o EXPRESSO teve acesso são 377 as licenciaturas nessas condições. No entanto, o ministro da tutela, Mariano Gago, garantiu ao EXPRESSO que o número de cursos que não serão financiados «será bastante inferior» graças a um regime de excepções. Excluídos do corte ficam os cursos ligados à arte, os que tenham relevância social, os que sejam únicos e ainda os que funcionam em regime nocturno". A notícia não se ficava por aqui e para a complementar, além de se recordar aos leitores que "Gago salva cursos com falta de alunos" juntava-se ainda a seguinte informação: Faça aqui o download da lista completa dos 377 cursos em risco de Norte a Sul do país.
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1º - Que a rede nacional da educação terciária é um balaio de gatos, lá vão os nossos co-cidadãos desconfiando.
2º - Que atendendo aos sucessivos governos, as coisas andaram de mal a pior, também todos sabemos. Digam lá se, com toda a franqueza, poderíamos esperar melhoras.
3º - Agora que o número mágico 20 fosse o considerado, é que me deixa literalmente sem fôlego. Porquê? Porque em 2005, autorizaram-se na totalidade nada menos, que no Ensino Superior Público, inscrições de 1314 alunos, pela primeira vez, no primeiro ano, das 1614 vagas abertas para 114 cursos propostos (e muito bem) para dimensões iniciais de menos de 20 alunos - ver síntese aqui.
Nem todos são de artes, únicos ou nocturnos e em alguns matricularam-se até bem mais do que as menos que 20 vagas propostas - mas isto são outras contas e não me quero baralhar mais do que tenho direito. Num ano (2005) autorizam-se cursos com menos de 20 alunos, e no ano seguinte (2006) acabam-se, menos os que sejam "salvos".
Além das tipologias de cursos referidas, quais são as demais indulgências plenárias da salvação? Valem "simpatias e quebrantos"?
Bom, ... uma situação destas é muito desnorteante para as instituições que os propuseram (penso que 10 Universidades e 10 Politécncicos) e docentes, mas...e... e os alunos?
Lá de vez em vez podia-se pensar também neles.... Não demais, é claro, para não ficarem mal acostumados.
4º - Porque é que questões como estas não são devida e previamente pensadas, decididas e resolvidas pelos responsáveis pela nossa educação terciária, com a cooperação (nem que seja na amarra) de todas instituições/entidades interessadas-envolvidas e depois, calmamente, anunciam-se publicamente e executam-se as decisões efectivamente já tomadas.
Já era tempo de não nos preocuparmos tanto, em aparecermos tantas vezes na comunicação social, e de nos atermos mais aos problemas que temos, e que são ocupação suficiente.
5º - Assim, a) ou a notícia referida não é exacta, e deveria ter sido clarificada e corrigida - e não me parece que o tenha sido, ou b) estamos numa situação muitíssimo mais complicada e difícil do que todos pensamos - os decisores não estão a fazer bem as contas nem os devidos balanços às decisões tomadas.
É prevenindo o caso de, eventualmente, estarmos perante a segunda hipótese, que deixo aos nossos responsáveis pela educação terciária, como lembrancinha o ábaco (anexo) - permite executar com rigor muitas operações aritméticas e é mais ou menos simples de se aprender, desde que não tenhamos pretensões superiores ás 4 operações de base - mas estas, se usadas com honestidade, já sustêem muitas injustiças e disparates.
6º - O que nos vale, é que não faltará mais de um ano, para a OCDE nos fazer, de certeza, regressar em passo de corrida à Terra, e com uma única recomendação - meus Senhore(a)s vejam se ganham juízo!
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OBS - O que será que se quiz dizer com o aditamento do Expresso, quando refere que ""Gago"(?) salva..."?
Por mim, esperaria que ele governasse a educação terciária, a ciência e a tecnologia e ainda o segmento de inovação que lhe parece também competir e não mais, mas sobretudo, NÃO MENOS do que isso.
"Salvador"?
Mas, "salvador" tivemos pelo menos um e, tanto quanto me lembro, acabou por não ser muito apreciado por nós, mas a minha cabeça não é agora... o que nunca foi...

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