quinta-feira, junho 08, 2006

DAN

Hoje amanheci com o firme propósito de me retratar e, para isso, vou "meter o nariz aonde não sou chamada".
Não me digam nada, mas ando há uns quantos dias, com pesos pesados na consciência.
Se me perguntassem a troco de quê, ficariam a saber que estou sinceramente com muita pena de, pelo menos, dois ministros: a da Educação e o da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, já agora, e de raspão também um pouco com o da Saúde - É que, não há saúde que lhes chegue, aos dois primeiros ministros, para poderem aturar todas as idiossincrasias de todos stakeholders acerca da forma de resolução dos problemas que eles (os ministros) precisam de assumir sozinhos (ou lá perto, como veremos) a inteira responsabilidade - e é bom lembrarmo-nos disto.

A Senhora Ministra da Educação entendeu, a meu ver muitíssimo bem, que era importantíssimo para o aperfeiçoamento do correspondente sector de educação, atender à opinião dos Encarregados da Educação acerca dos Professores. E é!
Efectivamente, em qualquer Sistema de Gestão da Qualidade, a avaliação pelos interessados é sempre um pré requisito para aperfeiçoamento de qualquer produto ou serviço.
Para mim a Educação é um serviço público - os professores são servidores. Como tal, cuidar da melhoria contínua da sua prestação, é uma obrigação de quem a tutela, e para isto é preciso avaliar. Quem avalia são os utilizadores - a sociedade, e desta fazem parte os encarregados de educação.
Eu explico, porque acho muito bem aquela iniciativa de avaliação, ilustrando com uma experiência pessoal - numa formação que concluí, em 1986, no Instituto Superior Técnico - como aluna, no final, fui convidada a avaliar todos os Professores da referida formação.
Na verdade, eu não tinha qualquer qualificação, para apreciar os professores sobre os seus "conhecimentos ou bagagem científica". Mas isto também não me foi pedido!
Mas, certamente, tinha a minha percepção: se eles eram claros nas explicações, se eles se interessavam (ou não) porque nós compreendêssemos os assuntos que tratavam, se prestavam atenção para nos assegurar que os conhecimentos transmitidos eram apreendidos, se demonstravam cuidado e método na preparação e exposição das matérias, se evidenciavam preocupação em esclarecer as nossas dúvidas, se encontravam ou não tempo para escutar as nossas dificuldades, se propunham formas de as superarmos, se podíamos indicar aspectos a melhorar ou se tínhamos alguma ideia para as pessoas se poderem aperfeiçoar, etc., etc. - eram umas 5 ou 6 páginas (frente e verso) de questões para respondermos.
O inquérito estava previsto para respostas anónimas, mas eu identifiquei-me nas cotações que atribuí (notas de 1 a 5). Como resultado, houve professores muitíssimo bem classificados naqueles pontos que analisei (ex. Carlos Ramalho Carlos e Ramôa Ribeiro do IST e Alírio Rodrigues da FEUP), outros não foram tão bem cotados (e eram até muitíssimo mais populares, divertidos e agradáveis, como pessoas). Nunca, os bem classificados me trataram melhor, nem os pior classificados, me trataram pior.
Mais, tenho a certeza que as respostas aquelas perguntas, que me fizeram a mim, teriam sido respondidas aproximadamente da mesma forma, caso tivessem sido dirigidas aos meus familiares mais próximos. Se me perguntarem qual era a minha formação, ou a dos meus familiares, para emitirem opiniões sobre o ofício de professor, eu respondo - NENHUMA, mas o que estava em causa não eram os conhecimentos, o rigor científico e competências técnicas do professor, mas sim e só a forma, o empenho, o cuidado e o interesse como os transmitiam.
Na época, achei aquela ideia tão simples e útil, que ainda hoje não dispenso de segui-la com todas as minhas próprias "vítimas", e ‘tadinh(o)as.. - às vezes, sofrem bastante na minha mão - mas, eles sabem que é para bem del(e)as.
Digo-vos também que não tenho lá muito boas notas mas, sempre que me lembro das piorezinhas, procuro melhorar o meu desempenho - a taxa pessoal de recuperação dos meus defeitos pessoais é muito discutível, mas estejam certos que vou, pelo menos, sendo permanentemente informada se estou a ir ou não, no bom caminho.
Assim, que me perdoem os Senhores Professores, e com o devido respeito pelas suas competências mas, neste particular das questões da avaliação de docentes pelos "pais/encarregados de educação", estou totalmente do lado da Senhora Ministra da Educação, - não resolve nem é decisivo, mas pode até ser muito útil aos próprios professores!
E também não há nada de tão bom num ser humano que a opinião de outro ser humano, não possa ajudar a melhorar.

Em relação ao Senhor Ministro da Ciência e Ensino Superior, também há a dizer que é de uma persistência e transparência inexcedíveis - praticamente, desde a primeira hora que todos sabemos que ele disse que precisa de conseguir uma ideia mais clara, definida e independente sobre o Sistema de Ciência, Tecnologia Educação Superior de Portugal para ele melhor poder delinear as políticas de todo o sistema, incluindo o financiamento e organização de carreiras (infelizmente, ele não é o único a sentir a necessidade de uma organização e a não conseguir esquematizar o sistema - não conheço ninguém que domine suficientemente bem o problema, caso contrário, porque não faz propostas?). Que, para formular uma política mais segura, requer-se, antes de mais, a opinião de avaliadores internacionais. Concordo. Não é o que queremos todos? Quero dizer, não precisamos mesmo de uma política mais segura? Então deixemos que sejam feitas as avaliações, que o MCTES e nós todos precisamos.
Pois, apesar da insistência com que ele vem reiterando a indispensabilidade desse pré-requisito para efeitos de orientação política e de decisões futuras, é com a regularidade de treinos de aeróbica - duas ou três vezes por semana - que vem à liça um (ou mais do que um) alto responsável por instituições de ensino superior, a dizer para a Comunicação Social, ou para quem os possa e queira ouvir, que precisam de mais dinheiro ou, de alguma outra coisa qualquer, muito equivalente. Ainda não ouvi a nenhum desses altos responsáveis oferecer à comunidade uma opinião sistemática e integral sobre a nossa estrutura de ensino superior, ciência e tecnologia, ou adiantar como a organizaria/aperfeiçoaria, com os meios escassos existentes - sem pôr todos os outros de pantanas - ou a oferecer, gratuitamente, os seus préstimos, sem massacrar o Ministro, com pedinchices e reclamações....

Senhor Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, vale o que vale, porque não faço parte da sua lista de admiradores, mas concordo com a sua prioridade da necessária organização do sistema de educação terciária.
Assim, para os seus habituais "Pidões de plantão" sugiro-lhe que lhes responda, sempre, como me respondia há 30 anos um dos meus patrões, por 3 anos, Daniel Keith Ludwig (Dan)*: com dinheiro, minha senhora, qualquer um resolve todo e qualquer problema, é por termos aprovado ESTE orçamento e ESTE cronograma que preciso de SI, e pode ser-me útil a SUA colaboração.** Assim, guarde para si própria, a lista de recursos que hipoteticamente precisaria, e sugira-me rapida e concretamente, com os meios que tem disponíveis, o que PODE OU DEVE SER FEITO!
___________________

*Ainda vos contarei mais algumas histórias sobre o Dan, e sobre o seu sócio do Brazil (no AMAPÁ e no Rio S. FRANCISCO) - Augusto Trajano de Azevedo Antunes - ambos merecem as minhas memórias.

**Quando o Dan enfezava, e enfazava muito - trocava simplesmente de pessoal/colaboradores - era bom sairmos da frente... até porque, ele mudava de alto abaixo, sem muitas explicações e instantaneamente, as administrações de qualquer das empresas que geria, 3 e 4 vezes por ano.


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