domingo, setembro 23, 2007

"Eles" ? Mas,... quem?

Enquanto nós, por cá, repousamos e ou repisamos argumentos sobre o RJIES - Regime Jurídico das Instituições de ensino superior, lá a nível global, desenham-se as políticas de desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A falta objectiva de se ter ou poder, especificamente, o que fazer, aguça em demasia o interesse sobre o que os outros fazem ou não, e foi assim que, nesta última semana me dei conta do muito que por aí se vai concebendo, em matéria das próximas futuras linhas de força mundiais do ensino superior, ciência e tecnologia, exemplos:

1) Conferência Mundial sobre Integridade Científica - 16-19 Setembro 2007;
2) MCTES promove no Luxemburgo reforço da colaboração bilateral - 13 Setembro 2007;
3)SECTES participa nos EUA no seminário "Adapting Universities to the Global Society" - 11 Setembro 2007.

Na página do MCTES, há mais de uma semana, que somos surpreendidos e informados, sobre importantes eventos: "os desenvolvimentos recentes no sector em Portugal, bem como as prioridades da Presidência Portuguesa da UE na área do ensino superior e da ciência e tecnologia". Gosto de prestar atenção à distribuição espacial da limalha de ferro sob acção de campos magnéticos. No caso presente, o papel do campo magnético genérico no âmbito da educação, ciência e Tecnologia, calhou muito principalmente a Portugal e, mais especificamente, através do 2º Parágrafo da Lei Orgânica, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Decreto-Lei n.º 214/2006 de 27 de Outubro, sendo que, o "batente" executivo foi, indubitavelmente, atribuído a Manuel Heitor (MH). Ele, e os seus quê? "co-workers"? participaram, nominalmente, pelo menos em dois dos eventos - o primeiro e o terceiro. Esse trabalho é muito e, a meu ver, parece estar a ser, razoavelmente, bem feito, mas eu é que ainda não percebi, e penso que teria direito de perceber muito bem, é que chapéu está a usar o autor MH - será o de Secretário de Estado? o de Professor do IST? ou ainda o do Investigador de uma unidade de Investigação "secreta", para os não iniciados - "Center for Innovation, Technology and Policy Research, IN+". Seria bom que MH soubesse que não se devem traduzir designações de identidades, mas....
Ao contrário do que eu penso, como cidadã europeia e como contribuinte portuguesa, o MH/MCTES acha(m) que a Europa precisa reforçar o financiamento público da Investigação, Desenvolvimento e Inovação, e eu insisto é que precisaríamos de encontrar forma de reforçar e incentivar a contribuição das empresas PRIVADAS europeias e portuguesas.
Para estas empresas, entre nós, eu não conto "coisas de administração para-pública super estranhas e duvidosas até para analfabetos em economia e finanças", tais como PTs, EDPs, e Empresas criadas e financiadas ao abrigo de "cotas, quotas ou acções" públicas, e esta concepção faz toda a diferença.
O senhor ministro Mariano Gago, por exemplo, jamais se cansou(a) de clamar sobre a necessidade das instituições de ensino superior público - que, para ele, (e talvez até também para mim, up to a point) se restringem a ALGUMAS universidades - "têm de se habituar a um modelo diferente de financiamento". Divergimos só 180º no conceito de financiamento aplicável, a saber:
O que me parece que o Senhor Ministro quer é atribuir, discricionariamente, sob sua bênção directa, financiamentos públicos para a I&D&i, a entidades e ou instituições públicas à la carte, e o que penso, pior, como contribuinte exijo, é que financiamentos públicos não podem ser usados, como subsídios ad hoc, para "empresas para-privadas".
Previlégios destes, não há quem os não queira, mas porque será que se atribuem a uns quantos iluminados?
Procedimentos desses não credibilizam ninguém, antes porém, cheiram-me seriamente a desvios financeiros intoleráveis, e que estão longe de poderem incentivar e mobilizar a nossa débil iniciativa privada, mesmo a nível europeu, enquanto, isso sim, favorecem injustificadamente a ampliação, manutenção de subsídio dependências e currículos pessoais preferenciais, só que, cada vez são mais caras e hegemónicas e, proporcionalmente, mais selectivas ou desprovidas de pré-requisitos conhecidos e reconhecidos, empurrando as restantes entidades ou instituições para imobilização progressiva, sem que nunca tivessem qualquer oportunidade de opção, ou conhecimento dos visíveis condicionamentos. Quero dizer, seria benéfico seriar à priori, quem pode ou deve fazer o quê, evitando-se a todo custo perdas de energia e tempo, resultantes de vã alimentação de falsas expectativas ou a indução de insistentes murros em pontas de faca.
__________________

Conferir informações deste post, via http://www.mctes.pt/:
- SECTES participa nos EUA no seminário "Adapting Universities to the Global Society"11 Setembro 2007.
-
“Transatlantic Policy Colloquium”, que este ano discute os processos de reforma do ensino superior a nível internacional.
- Instituições Portuguesas participantes - via:
http://www.spea.indiana.edu/tac/institut.htm: Instituto Superior Technico (???) Center for Innovation, Technology and Policy Research (???)
-
Apresentação SECTES.
-
Brief policy paper prepared for the "World Conference on Research Integrity" - Manuel Heitor Secretary of State for Science, Technology and Higher Education.
-
Concluding Remarks by Manuel Heitor Secretary of State for Science, Technology and Higher Education.

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2 Comentários:

Blogger Alexandre Sousa disse...

«Recalling again Karl Popper (1996),
“Optimism is our duty. We all are coresponsible for what is coming”.
Thank you very much for your attention.
Manuel Heitor»

Faço minhas as palavras de Sua Excelência M F T V H, citando o Popper:
É isso MH, tens toda a razão, é que somos mesmo todos corresponsáveis por aquilo que nos está a acontecer.
Mas que fabulosa constatação esta!

domingo set 23, 10:14:00 da tarde 2007  
Blogger Regina Nabais disse...

Confesso que também achei piada à citação. Tenho, porém, por um lado, muitas dúvidas se o optimismo e o cumprimento de deveres muito abstractos são ingredientes suficientes para acautelarmos o futuro e, por outro lado, se a intencional falta de informação a que somos condicionados ainda nos confere o epíteto de cúmplices.
Dito assim, soa-me muito mais a quê? chantagem, maldição...

segunda set 24, 12:49:00 da manhã 2007  

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