sexta-feira, maio 25, 2007

"Lost in translation" nº 1

Tenho, para mim - porque que sou um produto resultante de uma caldeirada de organizações educativas muito diferenciadas, principalmente, em termos de azimutes geográficos de origem - que um dos problemas mais sérios e complexos da comunicação contemporânea, a interpretação deficiente, não é resultado das redes ou sistemas tecnológicos de comunicação ("hardware") que causam perplexidades ao cidadão comum e sim, tão somente, o real significado do que é, efectivamente, comunicado ("software").
Exemplo nº1:
Não se trata, propriamente, de um milagre - porque há muito mais tempo atrás do que este 13 de Maio de 2007 - que ando "encafifada" com o possível significado dos dizeres de um documento publicado na página do MCTES nessa data, e que vem a ser este: "Adequação do Ensino Superior ao Processo de Bolonha", de que destaco, duas pérolas da lógica discursiva e de clareza de raciocínio utilizado - a título ilustrativo da minha confusão - que traduzi apenas por mais um hermético (mau) agoiro, nestes termos:
Frases originais:
- "Também já em 2007, cerca de 70% dos programas oferecidos em universidades públicas aplicam o regime europeu de créditos, ECTS, sendo essa percentagem de cerca de 60% nos institutos politécnicos públicos, 99% nas universidades privadas e de cerca de 70% nos politécnicos privados".
- "Para 2007/08 deram entrada 1173 pedidos de adequação dos cursos existentes à nova organização, tendo o Director-Geral do Ensino Superior registado 842 até Abril de 2007 (incluindo 442 licenciaturas e 323 mestrados). Os requerentes desistiram de 52 [???!!!!]. Foram ainda registados 366 novos cursos (incluindo 38 licenciaturas e 279 mestrados), [[???!!!!]] de um total de 1030 pedidos para a criação de novos programas de ensino".
A minha tradução: Terei que avaliar o que se pretende mesmo transmitir a quem consultar esse documento, quando se usam frases como essas, num teste de múltipla escolha de apenas uma de entre 5 alternativas possíveis :
1. Que os politécnicos públicos são de uma forma geral "10%" mais preguiçosos que as universidades públicas?
2. Que as instituições públicas são de uma forma geral muito mais lerdas que as instituições privadas?
3. Que na Direcção Geral do Ensino Superior (DGES) não se planeia estratégica e sequencialmente, as apreciações dos processos que lhe são submetidos, mesmo estando cansada de saber que há alunos e instituições fortemente prejudicadas, pelo seu atraso?
4. Que a DGES não se expressa claramente, porque não há vantagem nenhuma em que alguém no país perceba o que quer dizer. E "lá fora" frases dúbias podem dar muito jeito para o posicionamento nas estatísticas internacionais.
5. Que, na DGES, as apreciações das propostas dos politécnicos públicos, pelo menos as de alguns, são intencional, sistemática, maldosa e perversamente deixadas para trás porque outros valores muito mais altos, oportunos e vantajosos se levantam?
___________
PS1 - Em qual dos pontos, os meus caros, raros e bravos leitores desconfiam que coloquei a minha cruzinha? Ah! Ah! Nada disso,.... quase acertaram, mas está só morno!
PS2 - Ainda vou publicar mais uns dois ou três posts dedicados ao facto de me encontrar "lost in translation(s)".
PS3 - Por vezes, "precisamos de percorrer meio mundo (180º), para fecharmos círculos...."

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