domingo, janeiro 17, 2010

Experimente só tirar-me «o meu» brinquedo...

Este meu blog, ultimamente, tem sido avisado, com alguma insistência, por parte dos meus caros, raros e bravos leitores de estar demasiado «avoado» - vejam, a propósito, um comentário no post anterior, no qual sou chamada à atenção para o facto de eu não ter mencionado nada, sobre estas afirmações do Professor Seabra Santos: "...as universidades e os politécnicos deviam depender hierarquicamente da mesma estrutura para acabar com duplicação de cursos e falta de outros de cariz técnico especializado".
Como podem confirmar não fiz, anteriormente, referencia nem a este nem a outros comentários idênticos da mesma pessoa.
Na verdade, como qualquer outro vivente, com acesso à internet, tenho a possibilidade de ser, cómoda e convenientemente, avisada de tudo o que é publicado na comunicação social sobre os temas que me interessem. Naturalmente, que um dos meus temas, de aviso-alerta permanente, é o que se anda a passar em termos de educação terciária, universidades e politécnicos, sobretudo os de cá do burgo.
Mas, às tantas, as novidades e as pessoas só se repetem e eu tenho, também, umas minhas "outras vidas" para atender... O problema real é que já tenho a idade para lá do suficiente para ter opiniões formadas que -- por não serem funções de "orçamentos" -- os seus "efeitos de cuco" poderem ser mal-olhados: lá está aquela velha chata, sempre a dizer a mesma coisa...
Alguma entidade superior impede-me de formar opinião diferente, da já aqui emitida no blog, sobre os reditos de muitas personalidades respeitáveis. E o meu novo terror resulta do facto de querer evitar a todo o custo, andar para aqui, a ser também eu a repetir-me (este blog já vai com 500 e tal posts...) quando não me sobra tempo suficiente para verificar o que andei ou não a arengar aos 4 ventos; e também, não quero ser daquelas pessoas que empomba e declara sobranceira "olhem não sei se já disse se não disse, mas se não disse, repito!"
Até aqui, pretendi explicar que fui mais do que avisada, pelo Google, e também pelos alertas de diversos blogs, sobre as últimas tiradas do Senhor Presisente do CRUP e Reitor da Universidade de Coimbra, que são sempre as mesmas e, sobre elas, só posso, também dizer o mesmo que já disse mas que agora digo de outra maneira:
1) Ou as universidades e politécnicos são a mesma coisa e (nunca mais do que uma por distrito) e, quer as IES queiram quer não, precisam é fundir-se e tratar-se com o mesmíssimo rigor e da mesmíssima maneira porque o país não pode aguentar o funcionamento e idiossincracias de 30 ou mais reitorias.
2) Ou as universidades e politécnicos são diferentes e (nunca mais do que uma unidade de cada, por distrito) e terão, a meu ver, obrigatoriamente, missões e objectivos diferentes não precisando de nenhum supervisor a não ser pagamento condicionado ao cumprimento das suas missões e objectivos.
Mas, se for assim, as qualidades de formação dos formandos e dos formadores terão também que ser diferentes. E isto inclui o facto das formações do politécnico precisarem de docentes com formação e experiência de vida que não são doutoramentos, pós doutoramentos ou pseudo-trabalhos forçados na investigação.
Se for assim, a meu ver:
a) as universidades diriam definitivamente adeus a todas as formações iniciais incluindo as licenciaturas de Bolonha e, também, os primeiros 3 anos dos "mestrados integrados" (seja lá o que isto seja) - dedicar-se-iam à séria às formações pós graduadas, e os politécnicos diriam adeus aos "mestrados profissionalizantes", seja lá o que isto seja, e dedicavam-se à séria às formações iniciais.
b) para que servem os doutoramentos, agora, obrigatórios para milhares de docentes dos politécnicos - ou é nos doutoramentos que se tiram, actualmente, nas nossas universidades que se aprende a ensinar cursos técnicos especializados?
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O que se tem desenhado, até agora, para o ensino superior português, é que vai tudo no sentido de os dois subsistemas se tornarem cada vez mais numa verdadeira mistela, mal amanhada, mal preparada, caríssima ao país e MUITO prejudicial aos formandos, para o que, eu suponho, devam cada um executar.
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PS1 - O CRUP não disse que tinha um caderno de encargos (reinvindicativo?) que condicionaria a assinatura do acordo de confiança?
PS2 - Julgo que desse tal caderno de encargos fazia parte um pedido de revisão ou de racionalização da rede de ensino superior. Faz ou não?
PS3 - Essa questão da racionalização da rede ficou ou não devidamente acautelada no "contrato de confiança"? Quando digo acautelada é que foi feita com o conhecimento e aplauso do CCISP, melhor, com o conhecimento e aplauso de todos os Senhores Presidentes dos Politécnicos?
PS4 - O CRUP mudou de ideias sobre a revisão da Rede Educativa, por causa dos 10% de Orçamento do Contrato de Confiança e irá agora dedicar-se às formações pós-secundárias e aos mestrados profissionalizantes?
PS5 - O CRUP está a pensar que a revisão da rede de ensino superior deve resumir-se a que o politécnico só pode servir para o que as universidades não lhes aprover fazer num determinado instante, apenas, quando e se não lhe for, por qualquer motivo aleatório, conveniente?
PS6 - Alguém sabe o que são cursos de cariz técnico especializado? e, já agora, também o que é "a praticamente virgem formação em áreas técnicas especializadas (se alguém souber, por favor, explique-me!). Também, se não souberem, pelos vistos, o senhor presidente do CRUP, sabe. Por favor, perguntem-lhe o que são esses conceitos, e depois esclareçam-me. Pode ser? Obrigada pela caridade (quero dizer, pelo milagre deste esclarecimento).
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Por favor, vejam o meu post "Moonshine do craqueamento educativo terciário" de há meses e meses.
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Percebem, agora, os meus caros e raros leitores porque, por vezes, prefiro não dizer nada?

3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Despacho:

Dê-se conhecimento ao Professor Seabra Santos, para a devida réplica.

segunda jan 18, 07:28:00 da manhã 2010  
Anonymous uma loura disse...

Quanto ao facto de ter raros e poucos leitores, não sei como se chega a essa conclusão...mas já pensou que o facto de, muitas vezes,não se responder ao post, poderá quer dizer que a autora sapiente do Poliké já disse tudo o que havia para dizer?
Cumprimentos, de uma loura (por vezes, perdida.....)

quarta jan 20, 06:01:00 da tarde 2010  
Blogger Regina Nabais disse...

Olá "uma loura",
1. Se olhar com atenção, o menu do lado direito do blog, encontra um contador de visitas diárias à página, e eu gosto de ver como evolui a minha freguesia - que é "pouquinha", mas constante e estimada.
2. Por vezes, não respondo a alguns comentários, mas não é por sapiência, é sim, precisamente, o oposto - não faço a mínima ideia do que dizer.
3. Não andamos todos perdidos? Eu pensava que sim!
4. Venha sempre pelo "blog", é muito bem-vinda, e não deixe de fazer os comentários todos que entender.

Saudações,

quinta jan 21, 09:52:00 da tarde 2010  

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