sábado, maio 09, 2009

É para ver "isto" melhor

Tenho ouvido dizer que existem profissões mais perigosas e viciantes do que ser-se vítima de drogas duras; nunca pensei que a docência do ensino superior pudesse pertencer a esse cluster, mas há circunstâncias que indiciam essa estranha possibilidade e, no caso do agrupamento se tratar do ensino superior publico politécnico, em Portugal, então é uma prova irrefutável dessa hipotese.
Na ausência de quem publicasse uma breve descrição sobre a aberrante situação do politécnico, em resultado da hipotética investida de reformas das carreiras deste nível de ensino; só agora é que percebo porque ninguém diz nada, que não seja protestar. Não se pode dizer nada, porque ninguém percebe o que se está a passar. O subsistema politécnico tinha (em 31 de Dezembro de 2007) a estrutura que se sintetiza no quadro seguinte:

O corpo docente é então dominantemente constituído por pessoas em dedicação exclusiva e ou em tempo integral, e com formação inicial ao nível de mestrado, como determina actualmente a legislação...

Não se percebe porque deve tudo começar do zero, em que haverá concursos abertos para a eles concorrerem doutorados ou especialistas.

Mas se é para começar do zero, começo eu com a seguinte pergunta:
O ensino politécnico está realmente pensado, pela tutela, para servir para alguma coisa?
Se não serve para nada, o caso está resolvido.
Se sim, dentro do ensino superior, terá que servir para alguma coisa específica diversa das universidades. Porque se for para fazer a mesma coisa, pois que a carreira seja IGUAL!
Se não é para fazerem o mesmo, então realmente as respectivas carreiras terão que ser diferentes. Até aqui parece ligeiramente pacífico.
Mas, para as carreiras serem diferentes, implica a constituição de um corpo docente diferente, mas que tem que existir, ou não precisa de existir?
[Se calhar não tem que existir, atendendo à inexistência de ressarcimento financeiro da complicadíssima, consumidora de tempo e de paciência, leccionação de CETS e de outros públicos-alvo diferenciados. Logo aqui, presuporia que a avaliação desses docentes fosse efectuada com base, por exemplo, na preparação de textos de apoio e material didático devidamente adaptado, e na organização sistemática de ensino teórico-prático e prático, que, para bem dos formandos, terá que evoluir rapidamente para os requisitos actuais das correspondentes especializações; mas nunca podemos esquecer que essa formação actualizada vai partir de uma amarração de conhecimentos dos alunos, a um nível de quase ground zero]
.

No entanto, exige-se para os docentes do politécnico ou o doutoramento ou ser-se especialista, e ainda fazer uma classe de investigação "orientada" (que ningém sabe o que é) - definida pelas direcções das instituições? - é isto, ou percebi mal?..., - cujo "tipo" e definição foi tirada, a meu ver, da surrealista imaginação da actual equipa ministerial, e - para os coitados que estavam em progressão, ou mesmo a meia dúzia de anos do fim da ACTUAL CARREIRA -- tudo isto terá que ser feito num piscar de olhos.
Com se isto não bastasse, incluem-se no texto sobre a carreira do Ensino superior e também do politécnico os reformados, para as tarefas habituais das pessoas da carreira. Mas a que propósito?
[Gostava de lembrar aqui que reformado será o indivíduo que SAIU DA CARREIRA ou porque atingiu o limite de idade ou de tempo de serviço, ou porque justificou invalidez perante uma junta médica ou ainda porque houve motivos indiscutíveis para a sua reforma compulsiva. Com todo o respeito pelas pessoas, mas em qualquer dos três casos um reformado(a) saiu da carreira e, se saiu da carreira tem certamente muito mais o que fazer para lhe ocupar o tempo, por isso, não se percebe porque tem que ser repescado e especificar-se-lhe por escrito o que pode ou não fazer, no Estatuto de Carreira dos outros que, por lá, precisam e querem andar].

Isto, também para não falar que se atirarão para fora da carreira do politécnico*, 70% dos professores supostamente necessários, enquanto se dá agora guarida legal aos futuros ubíquos turbo-docentes do politécnico, que podem e devem prestar os seus inestimáveis e insubstituíveis serviços aqui, ali ou lá, consoante quem decide. A propósito, quem decide, e com base em quê? Quem paga, e como se pagam os custos marginais deste modelo de trabalho ao «prestativo» e magistral one-man's-band?

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A tabela seguinte mostra com mais pormenor a síntese do que se passa em diferentes instituições politécnicas com informações no REBIDES2007. Como se vê, há politécnicos e politécnicos, melhor, há escolas e escolas e, dentro destas, bom.... o melhor é não querermos mesmo saber...


2 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Vade retro "olho gordo"

terça mai 12, 10:49:00 da tarde 2009  
Blogger Regina Nabais disse...

:)
Acha mesmo que resulta?

terça mai 12, 11:22:00 da tarde 2009  

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