terça-feira, fevereiro 17, 2009

Incommodities

"Sabe, eu sou insensivel a ESTA crise porque vivo com ela há mais de 50 anos.... dizia-me um vizinho, hoje, enquanto se lamentava que um dos seus filhos dilectos não auferia de uma bolsa de estudos, como ele mereceria.
Penso que o rebento está a frequentar Direito, numa universidade privada e, não desfazendo, até parece ser uma criatura bastante atilada, desde que não se inclua nesta apreciação o facto do garoto ser muito afeiçoado a uma mota de alta cilindrada, emissora de muitos dBs, durante o estágio de perene afinação com que é mantido engenho, e que suponho seja, exclusivamente, feita de ouvido, infelizmente, o meu...
"O Doutor João Redondo - prosseguiu o meu vizinho - é que tem razão, o custo anual do curso meu rapaz é mais barato 2000 ou 3000 Euros, do que a mesmíssima coisa ali ao lado, em Coimbra... que não seja só por isso, ele deveria ter direito à bolsa, mas..."
Pois.... nem lhe disse que estes custos diferenciais de formação superior entre instituições publicas e privadas e públicas e públicas tem, a meu ver, muito que se lhe diga.
Mais, a mais há agora instituições públicas que -- se acreditarmos no que dizem os seus responsáveis (na sua maioria eu não acredito!) -- nem são financiadas, quando resolvem, em atenção aos seus alunos de formação inicial, oferecer mestrados daqueles que não são dos "bons", i. é., dos integrados.
Esta opção unilateral de recusa de financiamento, por parte da tutela, a alguns pares instituições-formações, precisava mesmo de ser muito bem esclarecida, para que não sejam sempre os mesmos do subsistema público a custear, entre outras coisas, formações privadas, e "cursos-fantasma" da mesma instituição ou de instituições semelhantes, mas...mas, como diz o meu vizinho, não há nada a fazer... Desde que a educação nacional, a qulquer nível, passou a ser um simples bem de consumo que saltita entre uma obrigação publica e livre iniciativa de negócios privados ... vale tudo o que apenas alguns querem!

Os meus caros e raros leitores já leram aquele conto do Stephen King intitulado Misery?
Não? Ainda bem! ...Porque assim não sabem como irá tudo isto acabar...

Não sei porquê, mas lembrei-me de uma frase que vi há tempos escrita na trazeira de um camião desconjuntado: Mas, o que pode estar a fazer o NOSSO petróleo no subsolo DELES?

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