quarta-feira, março 12, 2008

Progressos!?

Hoje, numa visita relâmpago, à blogosfera, dei de caras com esta boa notícia - "Gago nega despedimento de 40% dos docentes" - divulgada pelo Blog Universidade Alternativa, de JCR.
Do documento original, extraí esta frase:

"O ministro do Ensino Superior reafirmou hoje que o processo de racionalização das instituições do Ensino Superior actualmente em curso não implica o despedimento de dois quintos dos docentes universitários. "

É sempre muito agradável ver claros progressos comportamentais em pessoas que julgávamos irrecuperáveis, ou como agora se diz: "...parece que estamos no bom caminho..."!

Não, não pensem "isso" - porque se não sou partidária de um estado accionista - "golden share" aqui e ali..., - sou ainda menos aficionada de um estado previdência.

O que me encantou, na notícia de que aqui lhes falo, foi o senhor ministro dizer-nos que quer racionalizar as instituições de ensino superior. É um bom começo, e mais vale tarde que nunca.
Os meus caros e raros leitores imaginam o não que aconteceria, se não quisesse(m) racionalizar nada? Eu não consigo imaginar!
Para a empreitada de se racionalizar sem ferir, ou ferir o menos possível, não nos falta sequer orçamento, só precisaríamos de ter uma estratégia pluri-anual devidamente orçamentada, para o sector. Não seria uma tarefa simples, mas também completam-se agora 3 anos de governação, e o que se tem em Portugal?
Ah! Mas eu digo-lhes o que penso que temos, para o sector:
i) Uma documentação legal sortida, dispensável por já estarem muito claras as concepções europeias- caso do "Decreto Lei Europeu" - Decreto-Lei n.o 74/2006 de 24 de Março, ou mal acabada e que possibilita interpretações a gosto do leitor, quando não é mesmo apenas uma rasoeira palavrenta que ninguém entende - Lei 62/2007. Legislação esta que conjunta ou separadamente, obriga ou possibilita vacuidades [ex: "mestrados integrados", com ingressos a meia nau, (para quê o mestrado integrado?), "especialistas" cujo conceito está para ser definido nas calendas, uma política de investigação "orientada" sem explicações, umas "fundações" sem Regime Jurídico, etc., etc., etc...],
ii) Umas assinaturas de meia dúzia de protocolos internacionais com custos benefícios discriminatórios,
iii) uma Agência de Acreditação "nada morta", ou fantasma,
iv) Um aconjunto de "stakeholders" incógnitos que, seguramente, não representam as sensibilidades,
v) Desses "stakeholders", só por ouvir-se dizer fazem parte "empresas" tais, como a EDP e a PT,
vi) Uns quantos conselhos e palpites veiculados, sabe-se lá como, por uma comunicação social de discutível independência,
vii) Uma "rede de politécnicos" cujo único objectivo parece ser hegemonizar no palco astros sem talento,
vii) Uma pedra lá para o norte onde se diz que vai ser o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia.
E, já agora, também lhes digo o que penso que não temos:
Por isso é que insisto que, por ora, não faz falta orçamento ao ensino superior, faz-nos muita falta sim, é uma efectiva a governação no sector, que não represente o papel de arame farpado, com dotes esporádicos de oratória.

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