terça-feira, janeiro 09, 2007

Informação e conhecimento diluídos em doses homeopáticas

Hoje, por intermédio do jornal Público, fiquei superficialmente bem impressionada com os extractos feitos, pela jornalista Isabel Leiria, ao trabalho de Manuel de Herédia Caldeira Cabral, Prof. Auxiliar, do Departamento de Economia Universidade do Minho, ainda em Versão preliminar, datada de Dezembro de 2006, intitulado "Estudo da expansão do sistema de ensino superior português nas ultimas duas décadas."
Sabendo como todos sabemos, o que são interpretações, generalizações e versões livres da nossa comunicação social (e, infelizmente, não só desta) resolvi ir consultar a referência original, e.... e tenho muita pena, porque fiz muito mal; é que com a leitura do trabalho, propriamente dito, fui ficando progressivamente desapontada.
Tenho, para mim, o principio que podemos e devemos sempre suavizar a aspereza de assuntos muito sérios com o bom humor que consigamos (porque só nos podem dizer que não temos graça nenhuma) mas o que não podemos é pretender escrever documentos que queremos que sejam sérios e, formal e publicamente reconhecidos, quando nos debruçamos sobre os assuntos que queremos tratar, mas de forma aligeirada ou, por assim dizer, "a brincar".
E, para não me alongar, gostaria de fazer, desde logo, uma pequena crítica de órdem técnica às regressões escolhidas pelo autor para expressar graficamente algumas das suas conclusões; eu não percebi porque as usou, a menos que tenha sido o resultado de simples tratamento de dados com um qualquer "software" pouco poderoso, ou que o autor não esteve para se incomodar com selecção de ajustes mais correctos e, nesse caso, era preferivel não ter usado esses perfis de regressão na forma de expressão gráfica do que os justificar, como o fez, apenas porque permite "uma leitura mais directa"???
Sendo o autor um Professor Universitário do Departamento de Economia de uma Universidade de prestígio, de que nos orgulhamos, tenho a certeza que sabe muito melhor do que todos nós, cidadãos comuns, que os números bem torturados dizem o que queremos que digam. E isto leva-me a outros reparos, sobre os quais, deduzo que, o autor também não quis prestar atenção que talvez fosse merecida aos fundamentos necessários, considerando as conclusões que me pareceu que teve como objectivo tirar.
Não percebi também porque é que o autor pretendeu associar a análise do aumento de vagas, com questões de investigação (investigação não, de publicações que não são como o autor muito bem sabe, exactamente, a mesma coisa) - "O facto de se ter privilegiado o crescimento do ensino politécnico face ao universitário (ver próxima secção) parece ser o principal factor que explica a existência de uma associação negativa entre crescimento das vagas e produção científica na área de economia e gestão. Tudo aponta que o mesmo esteja a acontecer noutras áreas" (????). Pois aí, é exactamente onde o autor se engana, estas generalizações são perigosas, e o cuidado de serem previamente verificadas antes do seu anúncio público ter-lhe-ia ficado muito bem, para não pular para conclusões precipitadas, como a que se segue:"No entanto, o forte crescimento dos politécnicos que se verifica desde o final dos anos oitenta, com a entrada de um elevado número de novos docentes (ver última coluna quadro 6), deveria já ter começado a reflectir-se num aumento da produção científica destas instituições, uma vez que, muitos destes novos docentes estão no sistema há já mais de 12 anos."
As razões, para discordar do que o autor nos diz, são muitas, mas fico-me por citar algumas:
1ª - não é líquido - pelo menos para quem tutelado o subsistema - que o politécnico devesse fazer sequer investigação, nem que essa a ser feita assentasse em publicações, pelo menos atendendo aos apoios financeiros (NÃO) concedidos por orçamentação pública, como veremos.
2ª - ao contrário do que diz o autor, em algumas áreas de formação as instituições politécnicas têm mais de 45% dos seus docentes já doutorados - se bem que seria mais importante, do que estas percentagens, avaliar se este nível de graduação académica é ou não o mais adequado às formações que deveriam, efectivamente, serem(terem sido) leccionadas nos politécnicos.
3ª - os docentes dos politécnicos inseridos em unidades de investigação próprias detiveram (2003 - 2005) apenas 5% do financiamento atribuído a todas as unidades de investigação (466), e as 8 unidades de investigação, acolhidas em politécnicos, e reconhecidas pela FCT não custaram dinheiro público para se constituirem, ao contrário da maioria das acolhidas em universidades - antes porém, foram resultado de muito trabalho duro e feito a pulso pelos docentes - e algumas destas unidades só se mantêm, à custa de muitas candidaturas e a financiamentos de Projectos Internacionais, já que a FCT tem privilegiado a investigação universitária. E esta opção percebe-se porque a Universidade conta com "mão de obra" gratuita dos doutorandos e mestrandos que o subsistema politécnico não têm.
4ª - os docentes dos politécnicos têm maior carga horária (cerca de 33% mais), e leccionam maior número de disciplinas do que os seus colegas das universidades.
5ª - os docentes dos politécnicos fazem também trabalho de investigação, internacionalmente reconhecido e até premiado, em Unidades de Investigação abusivamente atribuídas como pertencendo à universidade X, Y ou Z. Para além disso, muitos destes docentes dos politécnicos até pagam propinas de mestrado ou de doutoramento, à universidade de acolhimento.
6ª - o facto de deverem ser transferidos não as vagas, e sim alunos, da formação inicial (1º ciclo) para os politécnicos deveria ser mesmo uma opção obrigatória para o país por ser mais barata, de 500 a 700 € por aluno, libertando-se assim recursos financeiros e humanos para uma investigação por objectivos para além de publicações, economicamente, mais interessante para o país. Se esta opção fosse usada, em Portugal, por exemplo, nas Engenharias e Tecnologias poupar-se-iam, anualmente, no mínimo 50 M€.
E..., é assim que:
- uma pessoa inicialmente entusiasmada com um trabalho pode ficar muito decepcionada com a leitura do mesmo;
- é muito perigoso fazerem-se trabalhos que se pretendem sérios, sem cuidar da verificação das informações subjacentes às conclusões;
- é imprudente a utilização e divulgação pública de conhecimentos vagos de problemas com os quais não estamos familiarizados;
- também concluo: por vezes mais vale lerem-se certas coisas escritas do que sermos analfabetos.

6 Comentários:

Blogger J. Cadima Ribeiro disse...

Cara colega,
Ainda bem que pôde comentar o trabalho do meu colega de departamento. Tratando-se, como se diz, de uma versão preliminar do mesmo, seguramente ele vai poder aproveitar desse contributo.
o tema merece atenção, independentemente das conclusões mais ou menos benévolas que se possam retirar sobre o desempenho de qualquer das componentes do sistema de ensino superior.
Para mim, uma das dimensões que importaria apurar com maior rigor é a que se prende com a utilização do ensino superior como instrumento de política regional/urbana, que não deve ser menosprezada.

terça jan 09, 09:17:00 da manhã 2007  
Blogger Regina Nabais disse...

j. cadima ribeiro, obrigada por compreender a minha posição frente ao trabalho do Professor Caldeira Cabral.
Seria de facto muito importante que sobressaisse a dimensão da instrumentalização política, que refere, depois do esforço que o Professor Caldeira fez, até agora, para a demonstrar, sem se perder em alvos de intenções pouco precisos e, por isso, contestáveis.

terça jan 09, 12:25:00 da tarde 2007  
Anonymous Manuel Caldeira Cabral disse...

Cara Regina Nabais
O estudo que publiquei é um estudo preliminar, o qual tendo sido apresentado ao público, pareceu de interesse para fazer uma noticia.
Este estudo faz uma análise de decisão pública, no que toca à expansão do ensino superior nos últimos 20 anos, centrando-se nos anos desde 1994 (por razões de disponibilidade de dados).

O estudo partiu de uma apresentação que fiz, para a qual comecei a compilar dados diversos,que acabaram por dar origem a um estudo, porventura demasiado extenso.
A agenda politica por detrás deste estudo não é nenhuma. Mas em parte a ideia porque que comecei foi a tentativa de apurar até que ponto a decisão central dos varios governos foi responsável por alguns dos desiquilibrios que hoje se verificam no sistema.
Não me move nenhuma questão contra os politécnicos. O meu pai foi até há pouco tempo presidente de um instituto poliutécnico (antes de se reformar). Tenho vários amigos a trabalhar em Politécnicos.
Se a situação dos politécnicos me preocupa é exactamente por estas razões.
Se o estudo aponta responsabilidades aponta para os governos terem promovido uma expansão exagerada de unidades (de facto muitas delas de politécnicos) em regiões cuja demografia não permitia sustentar aumentos tão acentuados.

Por aqui fico... acrescentando outro co´mentário para abordar alguns dos pontos que referiu

Manuel Caldeira Cabral

quinta jan 11, 06:53:00 da tarde 2007  
Anonymous Manuel Caldeira Cabral disse...

Escrevo apenas para acrescentar três comentários a criticas directas que levantou no seu texto:
1. As regressões escolhidas
2. investigadores dos politécnicos nos centros das universidades
3. O custo de aumentar vagas nos politécnicos ou nas universidades

1. A primeira questão é uma questão estatística relevante. Se ler os trabalhos que tenho publicados verá que tenho credenciais de torturar dados, utilizando métodos econométricos complicados.
Quando se está a tentar validar uma relação cientifica é importante que tal se faça.
O estudo que apresento não têm esse intuito. Eu não pretendo provar uma teoria que defenda que existe uma relação negativa entre as decisões do agente politico e ás médias de entrada, ou as taxas de ocupação.
Eu limito-me a constactar que esta relação existe quando seria desejável que se verificasse o contrário. O que para avaliar a decisão politica é razoável.
Muitas das relações apresetadas ajustavam-se melhor a cursvas logaritmicas ou polinomiais, mas isso não mnudava a sua inclinação.
Eu não sei se a Regina comprendeu bem a expressão torturar os dados ate que eles confessem. Mas esta aplica-se a quando se faz o contrário do que eu fiz. Isto é, aplica-se quando se apresentam apenas resultados de regressões muito elaboradas, omitindo os dados em bruto. Eu apresento os dados em bruto... e apresento regressões simples...
E pergunto se olhando para a dispersão de dados pensa sinceramente que trabalhando-os de forma mais rigorosa, vai encontrar alguma inversão do declive da curva (passando de negativa a positiva). Eu confesso que as especificações alternativas que exprimentei não alteravam o declive a que se chegava. Mais tentei até trabalhar dados que incluiam os estabelecimentos de saude, ou os excluiam, que consideravam apenas anos mais recentes (para as publicações cientificas) de forma a que não favorecessem as instituições mais antigas, confrotei resultados de dados em taxas de crescimento com resultados em valor absoluto... Ou seja levantei uma série de dúvidas... e sem torturar os dados procurei, dentro dos limites de dados a que tive acesso, encontrar especificações que contrariassem os resultados que estava a obter.
Convido-a a afirmar que usando dados diferentes chega a conclusões diferentes. Eu admito que seja possivel. Procurei ver se assim era. Não encontrei. Mas estou aberto a que me demonstre isso. Seria um contributo muito interessante.

2. Uma segunda questão prende-se com os investigadores dos politécnicos.
Eu não afirmo em parte alguma do trabalho que os politécnicos não fazem trabalho de investigação reconhecido internacionalmente.
Pelo contrário os dados de que disponho mostram que existem investigadores pertencentes a politécnicos com publicações em revistas internacionais.
Se calhar são é poucos. O meu estudo nesse campo, por falta de dados, centra-se na àrea de economia e gestão.
Nesta àrea em concretop os dados permitem saber as publicações de cada investigador e na apresentação dos mesmos pode-se ver as publicações agrupadas por centro de investigação a que o investigador pertence ou por instituição a que está ligado.
Eu utilizei esta ultima especificação pelo que o problema de as publicações dos docentes dos politécnicos que estão nos centros de investigação das universidades serem abusivamente atríbuidas às universidades não se coloca. Se pertencem a um politécnicom, as publicações vão ser atribuidas ao mesmo.
Quando sugiro que eventualmente as conclusões verificadas na àrea de economia e gestão podem ser mais gerais, penso que sou claro que
estou a especular e não a comprovar. No entanto, os dados do OCES apontam para que as areas que mais cresceram em vagas e docentes até 2000, são em geral as em que a investigação publicada menos cresceu. É evidência indirecta. Não prova nada. Daí que a trate apenas como um indicio. Um indicio interessante.
Se tiver dados mais completos, por favor disponibilize-os. Eu admito que existam àreas em que o crescimento da investigação recebeu também um contributo importante dos politécnicos.
Pergunto, se está muito segura de que esta realidade terá sido a regra e a àrea de economia e gestão uma excepção.

3. Deixo ainda uma duvida sobre as suas estimativas de custo de aumentar vagas nas universidades e politécnicos.
O custo por aluno nos politécnicos é mais baixo do que nas universidades. Mas não estou muito seguro que o custo marginal de
aumentar vagas nos politécnicos foi menor do que o de aumentar nas universidades (pelo menos no periodo de 1994 a 2002). Os dados que apresento no meu estudo sugerem que os aumentos de vagas nos politécnicos obrigaram a um maior numero de contratações (e admito tambem a maiores investimentos) por cada 100 novas vagas do que os correspondentes aumentos de vagas realizados nas universidades.
É só uma dúvida.
De qualquer modo agradeço a atenção que deu ao meu estudo.
Só me resta pedir desculpa por essa leitura não ter sido mais do seu agrado.

quinta jan 11, 07:39:00 da tarde 2007  
Anonymous Manuel Cabral disse...

Escrevo apenas para acrescentar três comentários a criticas directas que levantou no seu texto:
1. As regressões escolhidas
2. investigadores dos politécnicos nos centros das universidades
3. O custo de aumentar vagas nos politécnicos ou nas universidades

1. A primeira questão é uma questão estatística relevante. Se ler os trabalhos que tenho publicados verá que tenho credenciais de torturar dados, utilizando métodos econométricos complicados.
Quando se está a tentar validar uma relação cientifica é importante que tal se faça.
O estudo que apresento não têm esse intuito. Eu não pretendo provar uma teoria que defenda que existe uma relação negativa entre as decisões do agente politico e ás médias de entrada, ou as taxas de ocupação.
Eu limito-me a constactar que esta relação existe quando seria desejável que se verificasse o contrário. O que para avaliar a decisão politica é razoável.
Muitas das relações apresetadas ajustavam-se melhor a cursvas logaritmicas ou polinomiais, mas isso não mnudava a sua inclinação.
Eu não sei se a Regina comprendeu bem a expressão torturar os dados ate que eles confessem. Mas esta aplica-se a quando se faz o contrário do que eu fiz. Isto é, aplica-se quando se apresentam apenas resultados de regressões muito elaboradas, omitindo os dados em bruto. Eu apresento os dados em bruto... e apresento regressões simples...
E pergunto se olhando para a dispersão de dados pensa sinceramente que trabalhando-os de forma mais rigorosa, vai encontrar alguma inversão do declive da curva (passando de negativa a positiva). Eu confesso que as especificações alternativas que exprimentei não alteravam o declive a que se chegava. Mais tentei até trabalhar dados que incluiam os estabelecimentos de saude, ou os excluiam, que consideravam apenas anos mais recentes (para as publicações cientificas) de forma a que não favorecessem as instituições mais antigas, confrotei resultados de dados em taxas de crescimento com resultados em valor absoluto... Ou seja levantei uma série de dúvidas... e sem torturar os dados procurei, dentro dos limites de dados a que tive acesso, encontrar especificações que contrariassem os resultados que estava a obter.
Convido-a a afirmar que usando dados diferentes chega a conclusões diferentes. Eu admito que seja possivel. Procurei ver se assim era. Não encontrei. Mas estou aberto a que me demonstre isso. Seria um contributo muito interessante.

2. Uma segunda questão prende-se com os investigadores dos politécnicos.
Eu não afirmo em parte alguma do trabalho que os politécnicos não fazem trabalho de investigação reconhecido internacionalmente.
Pelo contrário os dados de que disponho mostram que existem investigadores pertencentes a politécnicos com publicações em revistas internacionais.
Se calhar são é poucos. O meu estudo nesse campo, por falta de dados, centra-se na àrea de economia e gestão.
Nesta àrea em concretop os dados permitem saber as publicações de cada investigador e na apresentação dos mesmos pode-se ver as publicações agrupadas por centro de investigação a que o investigador pertence ou por instituição a que está ligado.
Eu utilizei esta ultima especificação pelo que o problema de as publicações dos docentes dos politécnicos que estão nos centros de investigação das universidades serem abusivamente atríbuidas às universidades não se coloca. Se pertencem a um politécnicom, as publicações vão ser atribuidas ao mesmo.
Quando sugiro que eventualmente as conclusões verificadas na àrea de economia e gestão podem ser mais gerais, penso que sou claro que
estou a especular e não a comprovar. No entanto, os dados do OCES apontam para que as areas que mais cresceram em vagas e docentes até 2000, são em geral as em que a investigação publicada menos cresceu. É evidência indirecta. Não prova nada. Daí que a trate apenas como um indicio. Um indicio interessante.
Se tiver dados mais completos, por favor disponibilize-os. Eu admito que existam àreas em que o crescimento da investigação recebeu também um contributo importante dos politécnicos.
Pergunto, se está muito segura de que esta realidade terá sido a regra e a àrea de economia e gestão uma excepção.

3. Deixo ainda uma duvida sobre as suas estimativas de custo de aumentar vagas nas universidades e politécnicos.
O custo por aluno nos politécnicos é mais baixo do que nas universidades. Mas não estou muito seguro que o custo marginal de
aumentar vagas nos politécnicos foi menor do que o de aumentar nas universidades (pelo menos no periodo de 1994 a 2002). Os dados que apresento no meu estudo sugerem que os aumentos de vagas nos politécnicos obrigaram a um maior numero de contratações (e admito tambem a maiores investimentos) por cada 100 novas vagas do que os correspondentes aumentos de vagas realizados nas universidades.
É só uma dúvida.
De qualquer modo agradeço a atenção que deu ao meu estudo.
Só me resta pedir desculpa por essa leitura não ter sido mais do seu agrado.

quinta jan 11, 11:31:00 da tarde 2007  
Blogger Regina Nabais disse...

PONTO 1 - [REGINA]
Antes de tudo, confesso-lhe que gostaria muitíssimo de ter a disponibilidade de tempo, as competências necessárias e o estatuto necessários para me tornar "referee" de textos como aquele que publicou.
Não tenho, nem coloquei qualquer dúvida sobre o seu conhecimento intrínseco sobre a matéria, do artigo que decidiu publicar.
Mas, se bem me lembro, evidenciei das restantes observações que fiz "uma pequena crítica de ordem técnica".
A "pequena crítica de ordem técnica" mantenho-a por saber que não é hábito, e não há nenhuma vantagem no uso de regressões simplificadas quando dispomos dos registos (como o Manuel Caldeira Cabral aqui mesmo nos diz) e, simultaneamente, não explicitamos se as observações têm uma distribuição normal ou não, que permitam utilizar algumas ferramentas de tratamento de dados, e também não explicamos as observações/registos fora do contexto geral ("outliners" não é?) - na verdade, o nadíssima de nada do que vou desconfiando sobre estes assuntos, é que os "outliners" devem ser tratados, separadamente, ou podem induzir inferências pouco robustas; como leiga, a mim parece-me que os seus gráficos são pródigos em "outliners". São outliners não são? E escapou-me a explicação que lhes deu.
E já agora também lhe digo, que também não sou adepta, de utilizações de resultados de análise comparativa de grupos, neste caso de subsistemas de ensino, pela utilização "clusters" pouco definidos, isto é, por exemplo um grupo constituído por Universidade A, Universidade B, etc., Politécnico X1 e Politécnico X2, etc. e as outras escolas todas de um e outro subsistema atiradas para um mesmo saco conjunto. Esta opção, a mim, parece-me dificultar a formulação de conclusões para um subsistema.
_____________________________
PONTO 2 - [REGINA] - 1
Eu é que não disse que o Manuel fez essa afirmação.
O que eu disse, e mantenho:
- É a total discordância (que até é mais do que uma discordância) de análises comparativas entre subsistemas de educação terciária feitas com base na intercepção do aumento do número de vagas em cursos pouco procurados, em instituições de ensino superior (subentendendo-se estas como dominantemente politécnicos) com a investigação, e que esta se circunscreva a publicações científicas.
-Que há docentes-investigadores de politécnicos a contribuírem, com trabalhos reconhecidos internacionalmente, para unidades referidas abusivamente como de universidades. Esta designação "abusivamente" não se referia ao facto do Manuel ser o responsável dessa atribuição, mas tem sido um aproveitamento de marketing institucional indevido, e que está sendo generica e progresivamente aceite, o que só prova a eficácia da referida estratégia sobre "os consumidores target".
- E disse também, e repito, que as condições de trabalho e de recursos de uns e de outros docentes de cada subsistema em matéria de investigação são muito distintos, tornando indevida uma comparação de produtividade dos dois subsistemas, sem explicações adicionais.
- Juntaria a esta minha última afirmação (não é uma dúvida) é que seria muito importante em matéria de opções de investimentos públicos na investigação de se fazerem também as contas às mais-valias resultantes de todos os investimentos feitos por subsistema. Finalmente, a pergunta para a qual eu gostaria de ter resposta é, tão-somente, qual o valor acrescentado dos investimentos TOTAIS para investigação e para a TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA num e no outro subsistema. Esclareço-lhe já, que esta precisa pergunta não é dirigida a MCC.
PONTO 2 - [REGINA] - 2
O que disse foi que não aceito - e continuo a achar inaceitável por motivos óbvios, a que não é alheio o facto de em trabalhos académicos, científicos ou, simplesmente, técnicos - admitirem-se especulações deste teor: "Tudo aponta que o mesmo esteja a acontecer noutras áreas"; porque são afirmações, como esta - e que se tornaram ultimamente num desporto nacional, embora eu acredite que como o Manuel disse não tivesse intenção de o fazer - que fragilizam um subsistema inteiro, isto é, a mensagem que se passa, para os cidadãos comuns de um país inteiro, é desfavorável a todo subsistema, quer neste se incluam formações/instituições que o mereçam ou não.
_____________________________

PONTO 3 - [REGINA] - 1
As minhas estimativas de custos foram feitas com base nos Orçamentos de Estado publicados, atribuídos por aluno (projecções anuais do OCES) a cada instituição (Universidades Públicas e Politécnicos Públicos) nos anos civis de 2005, 2006 e estimados para 2007, para as formações de engenharia-tecnologia. Não incluí, neste diferencial de custos, os custos unitários por aluno para os Serviços de Acção Social de um e de outro subsistema, porque como o Manuel sabe, também os Serviços de Acção Social dos alunos universitários têm dotações unitárias de bolsas superiores (em média de 200 €/aluno), tornando ainda mais caro ao erário público os custos de deslocamento dos alunos residentes numa região para outra, para frequentarem a Universidade.

PONTO 3 - [REGINA] - 2
Por favor, não me agradeça porque não o fiz por si.

PONTO 3 - [REGINA] - 3
Não tenho nada a desculpar porque penso que qualquer estudo de qualquer pessoa não deve ser escrito para agrado ou desagrado de ninguém; e, no caso deste seu artigo, pode ter a certeza que até agradou a muitos.
O que também penso é que todos os estudos devam ser rigorosos, sobretudo, se suscitarem dúvidas generalizadas sobre desempenhos institucionais e, em alguns casos, totalmente imerecidas, mas do meu ponto de vista, nas actuais circunstâncias da Educação Terciária Poruguesa são sempre muito prejudiciais.

sexta jan 12, 01:18:00 da tarde 2007  

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