quarta-feira, outubro 15, 2008

Separação de bens e «adquiridos»

Ora bem, pois muito lhes posso contar: hoje foi um grande dia para o subsistema politécnico. Ocorreu um acontecimento verdadeiramente excepcional - O MCTES deu-se ao incomodo de ir à sessão de abertura do Ano lectivo 2008/2009, de um politécnico. Estaremos finalmente no bom caminho, o termo politécnico começou a entrar no vocabulário subconsciente da nossa governação? parece mesmo haver já um certo entendimento que também possa ter alguma coisa a ver com a sua política de desenvolvimento...
Não lhes digo qual o politécnico visitado não Senhores. Têm que advinhar.... Não vale!....Adivinharam, é esse politécnico mesmo!
Sabem o que o MCTES por lá disse?
De acordo com o que aqui consta, o Senhor Ministro disse que há agora quase o mesmo número de alunos nos Politécnicos e nas Universidades. Sim senhores! Pareceu satisfeito, porque está «tudo» a portar-se como «manda o figurino»!
Bom tudo, tudo, tudo... nem por isso! Esta cindarela tem um lado negro... Através do jornal Público (aqui) o Senhor Misnistro até deixou um recado, para alguns outros politécnicos que andam a «pular um bocado as cercas».
Para resolver o assunto dessas instituições sem fronteiras - não só os politécnicos - proponho algumas medidas de persuasão:
- Uso de Espantalhos. Esta não é muito boa ideia... pois não? [E, os meus caros e raros leitores, ainda me perguntam porquê? ... Oh meus amigos, está bem de ver, porque....]
- Cercas resistentes munidas de equipamentos de electrocução - os cercados que existem estão a precisar de manutenção urgente, mas não será só do lado dos politécnicos...; Sabem como é? A galinha da minha vizinha...
- Engodos e iscos certos distribuídos dos lados corretos das cercas e nas proporções adequadas e por objectivos. É que, bem vistas as coisas, houve durante este tempo bens adquiridos de ambos os lados das cercas de dunas... quero dizer, uma cerca que se preze precisa de ser fixada de través e não de cutelo.

Esta última proposta, não desfazendo, seria uma ENORME ideia, mas aqui temos um busiliszinho: O MCTES também disse que «apresento o orçamento na Assembleia da República quando lá for» -, avançou, contudo, que o documento «contempla um aumento muito significativo de verbas para o ensinou superior público em Portugal». Mas não falou no mais importante - dos montantes e sobretudo de «shares», que seria o que interessa!
Queremos que Politécnicos leccionem cursos CET? Pague-se bem!

Um destes dias - que não hoje - vou ter que voltar à proposta dos Espantalhos! fica para depois...

2 Comentários:

Blogger fernando disse...

Pagar ainda mais aos Politécnicos?!

Essa não me parece uma boa ideia e definitivamente isso não vai acontecer. Não num país em que 80% dos reformados recebem menos de 200 euros mensais. Talvez num país rico, como a Islândia antes do crash. Mas este não é um país rico.

E se existe um sector com ineficiências em barda é este. Já basta de instituições que só produzem desempregados e ainda se queixam que o dinheiro que recebem por via dos impostos dos portugueses não lhes chega.

Aliás os Politécnicos podem por exemplo fechar todas Escolas Superiores de Educação. Quem quiser tirar estes cursos que vá para as Privadas. Ou como sugere o Ministro podem associar-se vários Politécnicos, para decidir entre si quem fecha o quê. Que outro país tem uma Escola Superior em cada esquina????

Além do que, cada Politécnico tem aprox 5-6 escolas, cada uma delas com um Director e um Sub-Director. Cada uma delas com uma Secretaria (ou Serviços académicos). Cada uma delas com um responsável dos serviços académicos que ganha a mesma coisa que o Director. Cada uma delas com uma secção de pessoal (ou recursos humanos). Cada uma delas com um sector de contabilidade. Cada uma delas com um sector de aprovisionamento. Pelo que não falta onde poupar, pois não ?????

Continuemos com os desperdícios.

Os docentes do Politécnico tem uma carga lectiva de 9/12 horas, pelo que se não estão em exclusividade, tem que fazer investigação. É claro que se o Politécnico a que pertencem não tem condições para fazer investigação, paciência, logo não se justifica receberem subsídio de exclusividade.

Não faz aliás muito sentido que quase 99% dos docentes do Politécnico estejam a receber um subsídio de exclusividade, que corresponde grosso modo a 7000 euros por ano. Como a maioria dos docentes deste subsistema, em média publica um artigo por ano. Isso quer dizer que cada artigo custa aos contribuintes portugueses a módica quantia de 7000 euros! Pasme-se ! Mais vale mandar fazer os artigos no Estrangeiro a instituições da primeira liga do ensino superior.

O problema é que um artigo por si só não revela nada (a economia nacional e o país não se governam com artigos), o que quer dizer que em seguida temos que partir para uma análise muito mais fina, que revele a quantidade de artigos publicados em Revistas Internacionais, ou a quantidade de patentes. Mas aí o panorama é muito pior. A grande maioria dos docentes do Politécnico, nunca publicaram um artigo sequer numa revista referenciada no ISI e os que o fizeram, foi somente a título excepcional e não como regra.
Ainda agora o MCTES tem que andar a fazer sessões de divulgação pelos Politécnicos, porque ainda há quem não saiba, que raio é lá isso da Web of Knowledge. Já sobre patentes, não vale sequer a pena abordar este tópico. Aposto que se excluirmos os Politécnicos de Porto, Lisboa e Coimbra. Os restantes todos juntos não devem ter produzido até ao momento uma única patente. Espero bem estar enganado.

A conclusão a que se chega, é que enquanto os Politécnicos, gastarem um 1/3 da sua verba para não produzir nada de relevante, vão continuar a ter problemas de sub financiamento. Foi aliás por essa razão que o novo Regime Jurídico do Ensino Superior veio obrigar a que no Ensino Superior Politécnico no mínimo 17,5% dos Docentes não poderão usufruir de exclusividade, pois que terão que ter uma actividade privada. Pelo que os Politécnicos tem muito por onde cortar, para poderem ter mais verbas disponiveis. Excusam assim de perder tempo a pedir aquilo que garantidamente não vão ter, nem com este nem com qualquer outro Governo.

domingo out 19, 07:17:00 da manhã 2008  
Blogger Regina Nabais disse...

Viva fernando.
Por favor, leia a minha resposta a esta sua opinião, no blogue:
meubloconotas.bblogspot.com

Mas, provavelmente, posso adiantar que as nossas experiências pessoais, profissionais e institucionais, sobre este assunto podem ser muito distintas.

Mais, pagar bem, não significa pagar mais. Significa pagar bem, sob contratualização por objectivos, e não mais dinheiro para gastos indiferenciados, e a (mau) gosto de algumas instituições.
Só para que conste, não me estou a referir a nenhuma instituição em particular; mas não preciso andar nem uma dezena de quilómetros, para eu poder pensar em bons exemplos do que aqui nos disse, e do que aqui lhe digo.

domingo out 19, 03:02:00 da tarde 2008  

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