sábado, fevereiro 02, 2008

Autonomia aplicada

Com uma extraordinária ambivalência de sentimentos sado-masoquistas, hoje à noite, pus-me a ler a Oração de Sapiência proferida pelo Ministro Mariano Gago, na comemoração dos 25 anos do Instituto Politécnico de Bragança (a 28 de Janeiro).
Penso que foi uma lição interessante, e que me permitiu confirmar que o Senhor Ministro está para as reformas da educação superior, tal e qual, como eu estou cá em casa para os meus cozinhados - sou a chefe de fogão e forno micro-ondas, a famosíssima "serve cru"... perdi-me...

Contava-lhes eu então que, a meio da lição, o Senhor Ministro declara:
Os reformadores não poderão mais esperar que a reforma lhes seja servida de bandeja, já feita e cozinhada. Viria fria. Terão de se bater nas suas próprias instituições pelas reformas a que dizem aspirar, e de provar merecê-las, prosseguindo no âmago das instituições o que a reforma legislativa, à escala do País, marca como rumo, mas apenas o trabalho de cada um pode converter em acção.

Ele plagiou os meus procedimentos culinários e, em retaliação, eu vou plagiar, para consumo doméstico, os argumentos dele: ..."meus queridos familiares isto aqui (que vocês, ingratamente, chamam de mistela pouca e mal amanhada) pode tornar-se na iguaria que quiserem, desde que cada um, agora, a termine a gosto e a contento pessoal, mas tratem de não fazer absolutamente nada, na cozinha e imediações, de que eu me possa lembrar que não vou querer... ah! e, no fim, quero a ala de serviços num brinquinho".

Resumindo, como tenho muitíssimas culpas nesse outro cartório caseiro, vou alinhar com esse pensamento de cada instituição de educação superior poder, seleccionar tudo o que queira fazer, incluindo o seu modelo de autonomia "com trabalho árduo, troca de boas práticas entre profissionais, acção concreta em cada escola, em cada matéria, em cada turma".
É isso! A Liberdade e Autonomia institucionais são conquistas não são um prato feito, e têm irremediavelmente os seus custos.
Meus caros e raros leitores, é só sabermos bem o que queremos, orçamentar bem, e vermos se estamos dispostos a pagar a factura.... Isto é um "trabalhinho de sapa", não têm glamour nenhum (ao contrário do que parecem pensar algumas comissões estatutárias), mas já que o MCTES não o fez por nós, sejamos nós a fazer tudo o que precisamos, para garantirmos que alcançamos exactamente o que queremos. Não é tão fácil como parece, mas a legislação disponível, neste particular, é flexível que baste.
Não nos podemos é manter com hesitações e nostalgias do conforto da gaiola... neste ponto, estou do lado do Senhor Ministro - há que dar corda aos sapatinhos....

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