domingo, abril 08, 2007

Cohortes? Como as de sardinhas ou atuns? Não me digam isso!

Por razões que não são para aqui chamadas, nesta semana pouco santa, tenho sido accionada por controlo remoto, e a ideia que vou fazendo cá da nossa terra resulta da interpretação indirecta e expedita, de outros sensores que não os meus próprios.
Sintetizo:
1º - Dizia-me, na última 4ª feira, uma pessoa muito novinha, docente do subsistema politécnico, um ex-futuro doutorando na amarra --- digo ex-futuro e na amarra, já que ele não foi um dos "felizes contemplados pelas selectivas dádivas da FCT, para o efeito" vai-se lá perceber porquê, até porque mesmo que se pergunte NÃO DIZEM! --- e que, há um par de anos, faz o favor de ser um dos meus bons amigos mais jovens - disse-me ele, mais ou menos isto:
"Sabe, estou a ficar particularmente preocupado! O que eu realmente gosto, e que sempre gostei muito, é de estar rodeado dos meus alunos, fico felicíssimo quando eles captam a minha mensagem, comprendem o valorizam meu esforço, para que entendam bem, aprendam e se fascinem como eu, pelos os meandros da matéria Y. Não penso que o meu doutoramento vá de alguma forma poder aperfeiçoar, nem um pouco, as minhas capacidades em benefício do que posso oferecer aos meus alunos, mas o pior é que estou realmente a gostar, e muito, do meu trabalho de doutoramento, no domínio Y. E continuou: Receio --- dizia-me muito convicto --- que este meu gostar vá suplantar aquele outro a que dediquei esta minha última meia dúzia de anos.... É que, não gosto mesmo nada de estar a gostar tanto! O que será dos meus alunos actuais e futuros e também de mim, se eu acabar por mudar mesmo o meu foco de interesse?"
- O que pensei disto?: Ainda não acabei de engolir e digerir, esta informação, no entanto, temo muito pelo futuro dos actuais e alunos seguintes do meu amigo, e temo muito pelo meu amigo, em si, por causa do seu entusiasmo.

2º - Na mesma 4ª feira, pude ler no Blog de Campus o seguinte: "Volume de negócios do INEGI ultrapassa pela primeira vez os 4 milhões de euros", do qual extraí o seguinte: "Depois dos cerca de 3,84 milhões de euros de 2005, os valores subiram para cerca de 4,27 milhões no ano passado.Pouco mais de dois terços do volume de negócios tem por base actividades financiadas por clientes -- mais 12% que em 2005. Destes, 29,4% são referentes a projectos de I&D, 30,5% a serviços de consultoria e 7,3% a serviços de formação. Os projectos de I&D com empresas e apoiados pelo PRIME são responsáveis por 26,3% do volume de negócios de 2006 e 6,5% provêm de projectos de investigação financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. No capítulo da prestação de serviços, as acções de consultoria cresceram 18,2% -- passaram de cerca de 2,15 milhões para perto de 2,55 milhões. Os contratos de I&D desceram 8,1%, ficando assim a rondar os 1,4 milhões de euros. Segundo os responsáveis do INEGI, a redução dos serviços de I&D prestados ao exterior deve-se essencialmente aos regulamento do PRIME: como a instituição assinou, em 2005, um contrato de apoio à construção de novas instalações (as obras terminam em Dezembro deste ano), não se podia candidatar, em 2006, à medida "5.1 Acção A" do PRIME (representa cerca de 600 mil euros por ano)."

- O que pensei disto?: Não percebi nada das contas que mencionam a esmo "lucros", financiamentos e menções de parcerias pouco definidas. Para mim, são tudo coisas que não se articulam assim tão facilmente. Como sempre, os números e as "contas prestadas" é para ninguem entender, a começar pelos próprios. Mas,...fico feliz, porque parece que estão felizes mas, no computo geral, não percebo, como direi? O seu entusiasmo? Na verdade, temo por quem pertence a este instituto, e a outros semelhantes.

3º - Agora, em toda a nossa amordaçada comunicação social e também na blogosfera (HÁ PELO MENOS DOIS ANOS) não se fala noutra coisa se não nos desaires da Universidade Independente e seus derivados.

- O que penso disto?: Ninguém pára para pensar que pode muito bem ser que a maioria dos seus perto de 3000 diplomados possam ser pessoas realmente entusiasmadas com o que por lá aprenderam e hoje honestamente fazem? Afinal cafejestagem ainda é a excepção, entre nós, ou também já não?

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O que penso eu de tudo isto?

Meus amigos, caros, raros e bravos leitores, primeiro pensei, com toda a legitimidade, que EU estava a ser apenas a expressão viva de "gaps" geracionais causados por diferenciação de classes etárias, o que é normal e muito grave, mas só para mim! Agora, estou em pânico! Penso mesmo que estamos todos, novos, os nem tanto, e os restantes mesmo os podres, a ser "catch-selvagem" de choque de civilizações, as dos outros e a falta da nossa, como resultado de regimes de pesca permanente em Tonelagem de Arqueação Bruta (TAB).

Piedade e clemência! Porque hoje é Domingo, e é de Páscoa!


2 Comentários:

Blogger J. Cadima Ribeiro disse...

Cara Regina Nabais,
Julgava-a ocupada com os ovos de Páscoa e com os folares. Afinal, parece que não.
Pela minha parte, prometo não voltar ao tema UnI; a não ser que surja motivo de força maior.
No meu caso, também, é mesmo de cortes que quero falar, não de cohortes. As cortes são, aliás, um lugar que retenho da minha vivência leiriense de juventude.
Um abraço

domingo abr 08, 10:10:00 da tarde 2007  
Blogger Regina Nabais disse...

Caríssimo Cadima Ribeiro, foi bom ter passado aqui no beco.
Pode crer, que quando no meu
"post" mencionei as publicações da blogosfera sobre a UnI, não me referia a ninguém em particular, e muito menos aos bloggers temáticos do ensino superior, que até terão mesmo obrigação de comentar o assunto, para além de "encomendar o enterro de quem merece".
O meu problema é que a comunicação social e os blogs generalistas pulverizaram, por toda a parte, comentários pouco abonatórios e nada dirigidos, a quem efectivamente os merece, por inteiro e em exclusividade.
Mas, sinceridade, estou mesmo preocupada com os coitados dos recém formandos da UnI - só nos últimos dois anos lectivos, formaram-se, por lá, mais do que 500 novos profissionais/ano(OCES), em 14 cursos diferentes; pode ser que me engane, mas aposto que a maioria deles, e dos seus professores, foi apanhada - sem culpas no cartório - na voragem de uma "arapuca sem tamanho e sem estarem devidamente alertados".
Abraço GRANDE,

Regina

domingo abr 08, 11:05:00 da tarde 2007  

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