quarta-feira, julho 01, 2009

"Equilíbrios" EXTRAORDINÁRIOS

..."são extraordinariamente equilibrados" dizia hoje (aqui) - para quem o ouviu - o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, reportando-se aos estatutos da carreira docente universitária e poliécnica que foram hoje reaprovados em Conselho de Ministros.
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Faço ideia, Senhor Ministro, faco ideia... dos "equilíbrios" que lhe foram necessários... e ainda nem vi os textos finais! Sobre estes, também faço uma ideia!

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Não resisto a desabafar, meus caros e raros leitores:
Aqui há umas duas semanas atrás, li algures uma "piada" que considerei de péssimo gosto e excessivamente desequilibrada: um 2º alguém dizia que, em sua opinião, uma outra pessoa - chamemos-lhe de 1º alguém - deveria, em espiação de alguma malfeitoria ter sido um dos passageiros daquele voo da Air-France que despinguelou no meio do Atlântico. Lembram-se?

Pois... Hoje, eu juntaria uma resma de nomes que poderiam ter acompanhado esse 1º alguém, nessa mesmíssima viagem e, tal como o Senhor Ministro, àcerca daqueles Estatutos, também «acho» que este meu pensamento é "extraordinariamente equilibrado" e também muito "generoso"!

4 Comentários:

Anonymous joão gândara disse...

Devo dizer que a Regina foi extraordinariamente generosa neste post. O sr. ministro consegue ser muito mais venenoso nas declarações que fez e que são transcritas (espero eu) no site do público. De entre essas declarações eu salientaria:
. [os novos estatutos] "procuram satisfazer as preocupações de estabilização de emprego de muitos docentes do Ensino Superior que se encontravam há muitos anos em situação precária"
."Já sobre as negociações com os sindicatos do sector, Mariano Gago salientou que com a maioria das estruturas foi possível assinar um acordo"
Acredite nisto quem quiser, ou ande distraído
. "Já sobre as negociações com o Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos, o ministro do Ensino Superior salientou que "o próprio conselho fez saber o seu apoio às soluções encontradas no estatuto..."
Estas afirmações nem precisam de comentário. Se toda esta situação não fosse tão triste, tais delírios até teriam piada.

Portanto, isto é de facto extraordinário, mas no sentido de ser para além de ordinário (e no mau sentido da palavra).

quinta jul 02, 10:47:00 da manhã 2009  
Blogger Regina Nabais disse...

Na minha perspectiva, o João tem muita razão, mas também penso que todos nós deixámos este senhor MCTES à solta, por demasiado tempo (nomeadamente, desde o RJIES) para fazer e subscrever tudo o que muito bem quis e lhe apeteceu. Convém que não nos esqueçamos que este diploma legislativo sobre as carreiras é só mais um, de entre uma notável sequência de dispêndio de esforços, recursos e de oportunidades perdidas.
Por onde andaram os docentes do ensino superior, desde o início desta legislatura, enquanto este preciso senhor MCTES se exercitava, com afinco, na sua roda livre?

sexta jul 03, 04:50:00 da manhã 2009  
Anonymous Anónimo disse...

Dou os meus parabéns parciais ao Ministro, e digo parciais porque por mim os novos Estatutos fariam mais sangue e não haveria prazo algum para aqueles que entraram pelo porta do cavalo, possam andar mais uns anitos para concluir o Doutoramento. Felicito também a novidade do conceito de Especialista, pois o que os Politécnicos tem em demasia são pessoas que sairam directamente dos bancos das Faculdades para a profissão docente, são especialistas de ensinar.

sexta jul 03, 07:56:00 da manhã 2009  
Blogger Regina Nabais disse...

Anónimo (03 de Julho; 7:56),
Talvez precisemos todos de reflectir que:
1º - Parte de um sério problema nacional, quanto a TODA A LEGISLAÇÃO, para mim está na Assembleia da República: admite-se, em Portugal, aprovação de qualquer diploma com força de lei, sem avaliação de custos e impactes positivos ou negativos, e sem bases quantitativas nenhumas.
2º - Dentro desta questão, inserem-se os ESPECIALISTAS PROFISSIONAIS, cuja legislação de pormenor não se pode circunscrever a um Decreto-Lei que, aliás, nem ainda foi sequer publicado; Este é um dos motivos porque embirro SOLENEMENTE com uma das apreciações
"positivas",supostamente,
referidas pelo CCISP, à comunicação social. Não aceito, pessoalmente, que seja uma entidade demasiado fluida, como é o caso do CCISP, a discorrer o que quer que seja sobre as condições de outorga de um título de Especialista profissional. E também discordo, EM ABSOLUTO, que uma carreira científica ou académica desenvolva competências profissionais no que quer que seja, a não ser as dessas específicas áreas de actividade.
A meu ver, 3 Doutoramentos e 5 pós-doutoramentos ou mais podem ser, claramente, insuficientes para se poder dizer que uma pessoa seja especialista PROFISSIONAL numa área de actividade profissional, como será o caso, por exemplo, de uma Engenharia Mecânica.
3º - Haveria também que assegurar que a legislação nacional - em matéria de carreiras custeadas por todos nós - não pudesse ter componentes transferidas, arbitrariamente, para regulamentos casuistas de diferentes instituições, porque umas serão rigorosas e inflexíveis, mas muitas outras não sei o que sejam... e, no meio, estará a larga maioria.
4º- Penso que possa ter razão sobre o facto de algumas instituições que tenham «portas do cavalo», mas há outras em que esse tão versátil equipamento nunca existiu.
5º - Se a legislação pertinente às carreiras do ensino superior for do tipo flutuante, como tem sido toda a legislação anterior desta legislatura, não promoverá nenhuma qualidade, muito antes pelo contrário, promoverá é muitas injustiças.
6º- Também discordo que a legislação nacional deva ser do tipo sanguinário ou do tipo algodão em rama, penso é que deve assegurar a melhoria progressiva das condições dos portugueses, senão, torna-se caso para dizermos que é o país inteiro «a cair do cavalo», pelo menos, nesse sector.

sexta jul 03, 12:24:00 da tarde 2009  

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